Para muitos jovens, o primeiro contacto com uma empresa não acontece depois do diploma. Acontece ainda durante o curso, numa visita técnica, numa apresentação de carreira, num estágio ou numa conversa com profissionais que explicam o que procuram numa candidatura.
É uma das diferenças do ensino profissional. A formação é escolar, mas também tem de conversar com o mercado de trabalho. A ANESPO - Associação Nacional de Escolas Profissionais trabalha precisamente neste espaço. Criada em fevereiro de 1991, a associação representa entidades proprietárias de escolas profissionais e assume, nos seus estatutos, objetivos como dignificar o ensino tecnológico, artístico e profissional, promover a qualidade e coordenar parcerias com instituições e agentes económicos. Esta ligação às empresas não é um extra. Nos cursos profissionais, a formação em contexto de trabalho e a proximidade com setores concretos ajudam a transformar aprendizagem em experiência.
Como é que a ligação às empresas aparece na prática?
Um exemplo recente vem da ESCO, divulgado no site da ANESPO. Nas sessões ESCO Job Market, a escola promoveu momentos de aproximação entre alunos e empresas, com apresentações de entidades empregadoras, oportunidades de estágio, perfis procurados e planos de carreira.
Numa das sessões, os alunos das áreas de turismo e hotelaria contactaram com os Hotéis Sublime. Noutra, ligada à animação turístico-desportiva, estiveram presentes entidades como o Parque dos Dinossauros da Lourinhã, a Experience Sport e a Unlimited Group. Houve ainda uma sessão com o Hotel Immerso, na Ericeira. Mais do que uma feira informal, este tipo de encontro permite que os alunos percebam que requisitos funcionais são valorizados, que atitudes contam numa entrevista e que tipo de percurso pode existir dentro de uma empresa.
Porque é que isto interessa às empresas?
As empresas que recebem estagiários ou participam nestas sessões apresentam a marca e, ao mesmo tempo, observam talento numa fase inicial. Num mercado em que muitas áreas técnicas têm dificuldade em atrair jovens, a escola pode funcionar como ponto de contacto antecipado. Em vez de esperar pelo fim do curso, a empresa acompanha a formação, explica necessidades reais e ajuda a aproximar expectativas. Para setores como turismo, hotelaria, restauração, indústria, saúde, serviços digitais ou manutenção, esta proximidade pode reduzir a distância entre aquilo que se aprende e aquilo que se exige no trabalho.
Que papel tem a ANESPO neste ecossistema?
A ANESPO não substitui as escolas nem as empresas. O seu trabalho é mais estrutural: representar, criar espaços de partilha, apoiar projetos, promover cooperação entre associadas e dar visibilidade ao ensino profissional. Os estatutos da associação referem expressamente a coordenação ou desenvolvimento de parcerias com instituições locais, regionais, nacionais e internacionais, incluindo agentes económicos e sociais ligados à formação escolar e profissional. Esta dimensão aparece também em projetos europeus e iniciativas de mobilidade, bem como no acompanhamento de escolas associadas em diferentes regiões do país.
O que falta resolver?
A empregabilidade não se constrói só com um estágio. Depende de orientação, qualidade da formação, empresas disponíveis para acolher jovens e capacidade para acompanhar a transição para o trabalho ou para o ensino superior. Ainda assim, quando a escola abre portas às empresas, os alunos ganham uma vantagem: deixam de olhar para o mercado como uma ideia distante. Começam a vê-lo em pessoas, horários, funções, expectativas e oportunidades concretas. O ensino profissional pode ter aqui um papel muito prático. Não promete emprego automático, mas encurta o caminho entre aprender uma profissão e perceber onde essa profissão pode ser exercida.