Quando se fala de ensino profissional, a discussão costuma ir para estágios, empregabilidade ou cursos técnicos. Mas há uma parte menos visível que pesa muito na credibilidade: a qualidade. Para uma escola profissional, qualidade envolve bons equipamentos, mas também processos, avaliação, acompanhamento, docentes preparados, ligação às empresas e capacidade para melhorar quando alguma coisa falha.
A ANESPO - Associação Nacional de Escolas Profissionais coloca este tema no centro do seu trabalho. Nos seus estatutos, a associação assume como objetivo promover a qualidade do ensino ministrado nas escolas profissionais e contribuir para princípios e orientações pedagógicas.
O que é o CEFANESPO?
O CEFANESPO é o Centro de Estudos e Formação da ANESPO. Foi criado no Porto em 1996 e, segundo a associação, tem desenvolvido ações de formação para docentes e não docentes das escolas profissionais, de acordo com necessidades identificadas pelas próprias escolas. O centro foi acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua em 1998 e pelos serviços centrais do Ministério da Educação em 1999. Em agosto de 2021, viu a sua formação acreditada pela DGERT. As áreas de educação e formação referidas pela ANESPO incluem desenvolvimento pessoal, ciências da educação e gestão e administração.
Onde entra o EQAVET?
O EQAVET é o quadro europeu de garantia da qualidade no ensino e formação profissional. A Comissão Europeia descreve-o como um referencial que apoia a qualidade no ensino profissional através de um ciclo de melhoria contínua: planeamento, implementação, avaliação e revisão. Este referencial interessa porque ajuda escolas e sistemas a medirem melhor o que fazem. A utilidade está em perceber se a formação responde às necessidades dos alunos, das empresas e dos territórios, em vez de ficar limitada ao cumprimento formal de regras.
A ANESPO tem trabalhado este tema. Em abril de 2026, realizou com uma delegação do Governo das Canárias um projeto de mobilidade Erasmus centrado no sistema educativo português e na implementação do quadro de garantia de qualidade EQAVET. A visita incluiu passagem por escolas profissionais como Chapitô, Magestil e Salvaterra de Magos e uma reunião com o EDUQA sobre avaliação e excelência na educação.
Porque é que a avaliação externa conta?
A avaliação externa pode ser exigente para as escolas, mas também ajuda a organizar evidências, identificar fragilidades e mostrar o trabalho feito. Em março de 2025, a ANESPO promoveu um webinar sobre avaliação externa das escolas profissionais, respondendo a pedidos de associadas. A sessão contou com contributos de escolas cujo processo de avaliação tinha decorrido recentemente e com a participação de Carlos Vieira, vice-presidente da ANESPO, que integrou a experiência piloto lançada pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência em 2019. Estes momentos são importantes porque transformam processos formais em aprendizagem partilhada. Uma escola que já passou por avaliação pode ajudar outra a preparar-se melhor.
O que ganha o ensino profissional com isto?
O ensino profissional ainda luta, em alguns casos, contra ideias antigas: que é uma via de segunda escolha, menos exigente ou menos preparada para o futuro. A qualidade é uma das formas de responder a esse estigma. Quando uma escola profissional mostra processos, resultados, acompanhamento e melhoria contínua, torna-se mais fácil ganhar confiança junto de famílias, alunos, empresas e entidades públicas. A certificação não resolve tudo. Mas ajuda a tornar visível aquilo que muitas vezes fica escondido: a complexidade de formar técnicos, acompanhar estágios, responder ao mercado e manter uma escola em melhoria permanente.