Vender para fora raramente começa com uma venda. Antes vêm os contactos institucionais, a leitura de mercado, as reuniões, as feiras, a confiança e a capacidade de explicar o que uma região ou setor tem para oferecer. Entre o final de maio e o início de junho, a NERLEI CCI esteve em três países para promover a Região de Leiria e o setor português das embalagens. A agenda passou pela Colômbia, pelo Canadá e por Singapura, no âmbito dos projetos Leiria Trade & Growth, SustainablePackPT e Embalagem do Futuro. A associação, que representa empresas da Região de Leiria e tem estatuto de Câmara de Comércio e Indústria, tem usado projetos cofinanciados para dar escala coletiva à promoção internacional. Para uma PME, essa escala pode fazer diferença: chegar a determinados mercados sozinha é mais difícil, mais caro e mais lento.
O que aconteceu na Colômbia?
A primeira deslocação começou a 24 de maio, com destino a Bogotá, no âmbito do projeto Leiria Trade & Growth. Até 29 de maio, a equipa esteve em visita de prospeção para conhecer melhor o mercado colombiano, reunir com entidades locais e apresentar o tecido empresarial e as potencialidades da Região de Leiria. Segundo a informação publicada pela NERLEI CCI, foram realizadas reuniões com associações setoriais, câmaras de comércio e outras entidades de apoio à atividade empresarial. O Leiria Trade & Growth é desenvolvido em copromoção pela NERLEI CCI e pela CIMRL - Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria. O projeto quer apoiar empresas da Fileira Casa, Moldes e Plásticos nos processos de internacionalização para mercados como China, Colômbia, Coreia do Sul, Japão e México.
Porque entrou o Canadá nesta agenda?
Entre 25 e 29 de maio, a NERLEI CCI esteve em Toronto, no Canadá, no âmbito do SustainablePackPT. A deslocação teve reuniões institucionais com câmaras de comércio, entidades locais e associações de promoção empresarial. O objetivo era reforçar ligações e identificar oportunidades para o setor português das embalagens. O SustainablePackPT é desenvolvido pela NERLEI CCI e pela AEB CCI e procura apoiar a internacionalização do setor nacional das embalagens em mercados como Países Baixos, Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Noruega, Canadá e Estados Unidos da América. Para empresas deste setor, a internacionalização está cada vez mais ligada a temas como sustentabilidade, materiais, rastreabilidade e capacidade de responder a clientes industriais exigentes. A promoção externa deixou de ser só uma montra de produtos. Também é uma conversa sobre processos e adaptação.
O que foi apresentado em Singapura?
A 31 de maio, a agenda seguiu para Singapura, onde a NERLEI CCI participou na Sustainability in Packaging Asia, uma conferência internacional dedicada à inovação e sustentabilidade na indústria das embalagens. Além da presença como expositor, a associação apresentou o projeto Embalagem do Futuro numa das sessões da conferência. A deslocação prolongou-se até 9 de junho e incluiu reuniões com a Singapore Manufacturing Federation, a GS1 Singapore e a delegação da AICEP em Singapura, além de uma visita ao Singapore Centre for 3D Printing, da Nanyang Technological University. O Embalagem do Futuro é uma agenda mobilizadora financiada pelo PRR. Segundo a NERLEI CCI, reúne 79 entidades e tem investimento total de 104,1 milhões de euros, com incentivo de 57,5 milhões de euros.
O que mostra esta presença externa?
Estas deslocações mostram uma forma de internacionalização que começa antes da venda. Primeiro há prospeção, leitura de oportunidades, contactos institucionais e posicionamento coletivo. Para a Região de Leiria, essa presença ajuda a colocar empresas e setores em conversas internacionais onde muitas PME teriam dificuldade em entrar sozinhas. Para a NERLEI CCI, o papel é abrir portas, organizar informação e aproximar empresas de mercados onde pode haver procura para produtos, conhecimento industrial e soluções portuguesas. O resultado de uma missão raramente se mede no próprio dia. Mede-se depois, nos contactos que continuam, nas oportunidades que amadurecem e nas empresas que conseguem transformar uma primeira reunião numa entrada real em mercado.