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A ciência confirma: há uma idade em que o envelhecimento acelera de forma abrupta

A investigação mostra que cada órgão envelhece ao seu ritmo, mas há uma fase crítica comum a quase todos

IOL
1 dez, 14:51
Envelhecer
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Foto: Freepik

Há uma idade em que o corpo parece mudar de velocidade — e a ciência acaba de confirmar quando isso acontece. Um estudo liderado pelo cientista Guanghui Liu, publicado na revista Cell a 25 de julho de 2025, revelou que o envelhecimento humano sofre uma aceleração abrupta por volta dos 50 anos. A conclusão resulta da análise de 48 proteínas associadas a doenças em vários órgãos. Entre todos, os vasos sanguíneos, sobretudo a aorta, apresentaram as alterações mais marcadas, como se fossem os primeiros a dar o sinal de que algo mudou.

Quando é que o corpo começa realmente a envelhecer mais depressa?

A equipa do cientista Guanghui Liu analisou 516 amostras de tecido de 76 pessoas entre os 14 e os 68 anos. O que descobriram foi claro: entre os 45 e os 55 anos, algo muda. É nesta fase que a expressão de várias proteínas se altera de forma mais acentuada, sobretudo nos vasos sanguíneos. É como se o corpo atravessasse uma espécie de ponto de viragem.

Curiosamente, as glândulas suprarrenais começam a dar sinais de envelhecimento bem mais cedo, já a partir dos 30 anos. Cada órgão tem o seu próprio ritmo, mas a aorta destacou-se como a estrutura mais afetada. Uma proteína chamada GAS6, encontrada em níveis elevados nesta zona, chegou a induzir envelhecimento precoce em testes com animais.

Como é que isto foi medido e o que significa para nós?

Os investigadores usaram algo chamado relógios proteómicos, que calculam a idade biológica dos órgãos com base na expressão de proteínas. É diferente de medir o ADN: aqui, vê-se em tempo real como cada parte do corpo está realmente a envelhecer, não apenas quantos anos se tem no bilhete de identidade.

Segundo o cientista, citado pelo site Metro Ecuador, "o envelhecimento a nível molecular pode ser quantificado e, potencialmente, moderado através de proteínas específicas". Ou seja: perceber estas mudanças pode abrir caminho a tratamentos que ajudem a desacelerar o processo, especialmente nessa fase crítica da meia-idade.

E há mais proteínas envolvidas em tudo isto?

Guanghui  Liu já tinha investigado outra proteína, a Apolipoproteína E (APOE), e descobriu que quando se acumula nas células acaba por acelerar o envelhecimento, desestabilizando estruturas importantes do núcleo celular.

No fundo, o que este estudo mostra é que o envelhecimento não é um declínio linear e constante. Há momentos em que o corpo acelera, e conhecer esses pontos pode fazer toda a diferença na forma como cuidamos de nós próprios.

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