Crédito Habitação. Foto: Pexels
Crédito Habitação. Foto: Pexels |

Vale a pena mudar o crédito da casa para taxa mista?

Doutor Finanças
2 out., 11:17

Trocar a taxa variável pela taxa mista pode ser vantajoso para algumas famílias com crédito habitação. Saiba se, no seu caso, compensa mudar

A Euribor voltou a subir em setembro e, com isso, esperam-se novos aumentos na prestação da casa. Para quem tem crédito habitação com taxa variável, mudar para taxa mista permite ficar protegido das subidas dos juros num período inicial e, em determinadas condições, pode mesmo representar uma poupança de dezenas de euros por mês.

Taxa mista traz previsibilidade e pode baixar a prestação

Nos contratos de crédito habitação com taxa variável, a prestação acompanha a evolução da Euribor. Em setembro, a média deste indexante a 12 meses atingiu 3,257%, o valor mais elevado desde junho de 2024. Já a Euribor a 6 meses, a mais utilizada nos novos contratos, fixou-se nos 2,881%, e a Euribor a 3 meses alcançou os 2,636%.

O impacto desta subida - que pode simular aqui - não é igual para todos os contratos, uma vez que depende do prazo do indexante – 3, 6 ou 12 meses -, do capital em dívida, do prazo restante e do spread. Além disso, depende ainda do mês em que a prestação do crédito é revista.

É neste contexto de aumentos que algumas pessoas equacionam uma mudança para taxa mista – que começa com um período de taxa fixa de 2 ou 5 anos, por exemplo, passando depois para variável. Optar por esta modalidade deixá-las-ia a salvo das oscilações da Euribor, pelo menos, por algum tempo.

Quanto pode poupar num crédito de 200 mil euros?

Para perceber o impacto que uma mudança de taxa variável para taxa mista pode ter, considere um crédito habitação com 200.000 euros de capital em dívida e 30 anos de prazo restante. Este contrato tem uma taxa variável indexada à Euribor a 6 meses e um spread de 1%. Com uma TAN de 3,3%, a prestação atual é de 878 euros, mas aumentará 63 euros, para 941 euros.

Mudando para uma taxa mista com uma TAN de 2,7% durante o período inicial, a prestação deste mesmo crédito seria de 811 euros, no período fixo. A diferença face à prestação revista seria, assim, de 130 euros por mês.

O resultado seria ainda mais expressivo num contrato com as mesmas condições, mas indexado à Euribor a 12 meses, maturidade que sofreu o maior aumento. Neste caso, a diferença face à taxa mista chegaria aos 174 euros mensais.

Mas o que acontece depois do período de taxa fixa?

A taxa mista pode ser uma forma de ganhar previsibilidade durante alguns anos, mas não elimina o risco de futuras subidas dos juros. Quando o período de taxa fixa terminar, o crédito passará para taxa variável. A partir daí, a TAN (Taxa Anual Nominal) do empréstimo resultará da soma do indexante – Euribor a 3, 6 ou 12 meses – com o spread contratado.

Quanto mais curto for o período de taxa fixa, mais cedo voltará a estar exposto à Euribor. Como tal, se as taxas subirem, a prestação aumentará, mas, se descerem, a mensalidade descerá também.

Antes de mudar, faça as contas

Antes de aceitar uma proposta para passar de taxa variável para taxa mista, é importante comparar mais do que a prestação inicial. Avalie o spread que será aplicado ao contrato quando terminar o período fixo, bem como as restantes condições do contrato.

Analise também o custo global do crédito. A TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) e o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor) permitem ter uma visão mais abrangente dos encargos, incluindo os juros totais, eventuais comissões, seguros e outros custos associados à operação, sobretudo se a mudança implicar a transferência do crédito para outro banco.

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