Mafalda sobreviveu a uma explosão aos 7 anos
Mafalda sobreviveu a uma explosão aos 7 anos

Sobreviveu a uma explosão aos 7 anos, mas esteve um ano internada: "Dizia à minha mãe: 'Vai buscar uma pistola e mata-me'"

IOL
6 ago., 16:00

Mafalda tinha 7 anos quando uma explosão mudou a sua vida. Recordou agora as dores e o pedido desesperado que fez à mãe

Tinha apenas sete anos quando viu a vida mudar para sempre. Uma explosão causada por uma fuga de gás destruiu a casa onde passava férias com a família e deixou-lhe marcas físicas e emocionais que ainda hoje carrega.

A história de Mafalda Pereira foi contada no programa Dois às 10, da TVI, onde a jovem, a tia Fátima e o primo Tozé recordaram um dos momentos mais difíceis das suas vidas.

O acidente aconteceu no verão de 2008, quando a família, que vivia na Suíça, veio a Portugal para estrear uma casa nova. No momento da explosão, Mafalda e o irmão estavam a dormir. "O meu irmão é que me salvou a vida porque eu estava em choque", recordou. Mafalda lembra-se de atravessar as chamas e de ver o pai a arder. Apesar da gravidade do cenário, garante que, naquele momento, não sentia dor.

A jovem, o pai, o irmão, a tia Fátima e o primo Tozé sofreram queimaduras graves. Mafalda, Fátima e Tozé estiveram em coma induzido e os médicos chegaram mesmo a admitir que as crianças dificilmente sobreviveriam.

Seguiu-se um longo período de recuperação. Mafalda esteve cerca de um ano internada no hospital, onde enfrentou dores constantes. "Tinha tantas dores que preferia morrer", confessou. O sofrimento era tão intenso que chegou a fazer um pedido desesperado à mãe. "Dizia à minha mãe: 'Vai buscar uma pistola e mata-me'", revelou.

Além das cicatrizes visíveis no rosto, nas mãos e nos pés, Mafalda ficou também com sequelas internas. Ainda hoje tem cicatrizes no nariz e na garganta que lhe dificultam a respiração.

Até aos 18 anos foi submetida a vários transplantes de pele, recorrendo a tecido retirado de outras partes do corpo para reconstruir o rosto. Durante a infância e adolescência, enfrentou ainda episódios de bullying devido às marcas deixadas pelo incêndio.

Apesar de tudo o que viveu, encontrou um novo propósito. Inspirada pelos anos passados no hospital, decidiu seguir Enfermagem. A família travou durante 14 anos uma batalha nos tribunais para tentar obter justiça, mas acabou por perder o processo. Segundo foi revelado no Dois às 10, nunca recebeu qualquer indemnização nem apoio do seguro e ninguém foi responsabilizado pelo acidente que mudou para sempre as suas vidas.

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