No verão, os chinelos tornam-se companheiros inseparáveis de muitas pessoas. São práticos, frescos e ideais para um passeio à beira-mar. Mas este hábito pode trazer consequências dolorosas para a saúde dos pés. A fascite plantar, muitas vezes apelidada de “doença do chinelo”, é uma das queixas mais comuns nesta altura do ano.
O que é a fascite plantar?
A fascite plantar é uma inflamação da fáscia plantar, um tecido em forma de faixa que vai do calcanhar até à base dos dedos e que ajuda a sustentar o arco do pé. O principal sintoma é a dor na planta do pé, muitas vezes descrita como “pontada no calcanhar” ao dar os primeiros passos de manhã ou após períodos de repouso.
Segundo o podologista José Pedro Coto, esta inflamação surge devido a stress mecânico repetido na região, frequentemente causado pelo uso de calçado inadequado, como chinelos demasiado flexíveis, ou mesmo por andar descalço.
Chinelos: amigos do verão, inimigos dos pés
Apesar de confortáveis, os chinelos não oferecem suporte suficiente ao pé. Entre os principais riscos estão:
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Falta de contenção do arco plantar: os chinelos, por serem muito maleáveis, deixam a fáscia plantar sem o apoio necessário.
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Uso em atividades erradas: caminhar longas distâncias, fazer corridas ou andar em passadiços e praias apenas de chinelos aumenta a pressão sobre o tecido.
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Tipo de pé: pés chatos ou cavos sofrem mais stress mecânico, aumentando o risco de inflamação.
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Idade: nos idosos, a atrofia da almofada plantar torna a zona mais vulnerável.
É por isso que a fascite plantar é mais frequente no verão — quando se facilitam os cuidados com o calçado.
Como prevenir a fascite plantar
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Prefira sandálias com suporte no arco em vez de chinelos planos e flexíveis.
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Para caminhadas, use sapatilhas apropriadas, nunca chinelos.
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Faça alongamentos da cadeia posterior (gémeos e tendão de Aquiles), especialmente antes e depois de atividade física.
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Evite passar muito tempo descalço em superfícies duras.
Tratamentos mais comuns
O tratamento deve começar sempre de forma conservadora:
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Repouso da zona inflamada.
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Aplicação de gelo (a tradicional “garrafa de água congelada” sob o pé).
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Uso de anti-inflamatórios ou analgésicos, conforme orientação médica.
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Exercícios de alongamento do tendão de Aquiles e da planta do pé.
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Em casos persistentes, pode ser necessária uma abordagem multidisciplinar, incluindo podologia, ortopedia ou fisiatria.
Há ainda soluções personalizadas, como chinelos fabricados em 3D, moldados ao pé do paciente, que oferecem suporte adequado.
Embora pareçam inofensivos, os chinelos podem ser a origem de uma dor incapacitante: a fascite plantar. Para evitar a chamada “doença do chinelo”, o segredo está na escolha de calçado adequado e na atenção à saúde dos pés. Como sublinha o podologista José Pedro Coto, “não basta tratar a dor — é essencial descobrir a causa para que o problema não volte a surgir”.
Veja o vídeo: