Menos de 100 euros por 4 noites numa casa em frente à praia: é possível e fica mesmo aqui ao lado
Para quem gosta de praia, história e gastar pouco, este é o destino perfeito
Toda a gente já ouviu falar de Finisterra, o lugar que os romanos julgavam ser o fim do mundo conhecido — para lá do qual só existia o oceano infinito. Hoje é sobretudo conhecida por outra razão: é onde muitos peregrinos decidem prolongar o Caminho de Santiago, para ver o pôr do sol a partir do farol antes de dar a viagem por terminada. Foi só depois de fazermos o Caminho, em maio, que nos surgiu a vontade de lá ir, acabando por superar todas as expectativas. Desta vez não fomos a pé nem de mochila às costas. Fomos de carro, a partir de Viana do Castelo, uma viagem de cerca de três horas.
Éramos um grupo de cinco e ficámos quatro noites na primeira semana de setembro, numa casa junto ao mar. Escolhemos este alojamento pela localização, mas rapidamente percebemos que em Finisterra praticamente todas as opções ficavam em conta — pelas quatro noites, pagámos 96 euros cada um.
Essa localização acabou por ditar a rotina dos dias: a Praia Da Langosteira, a três minutos a pé, tornou-se o nosso ponto fixo. Não vou mentir: a água estava fria — bem fria — mas transparente, com peixes a nadar por baixo de nós, e uma vista que nunca se cansava de ser bonita. Nadámos todos os dias e ainda nos divertimos a apanhar as conchas brilhantes que enchiam a areia.
Reservámos uma tarde para o Cabo de Finisterra, o motivo que nos fez escolher este destino. Estacionámos e fomos caminhando, cruzando-nos primeiro com o marco do km 0, que assinala o fim simbólico do Caminho de Santiago para quem chega até aqui. Continuámos até ao farol — imponente, com uma vista incrível sobre o Atlântico — e sentámo-nos nas rochas só para olhar o mar. Foi ali perto que demos com a Bota do Peregrino, a escultura de bronze que homenageia a antiga tradição dos peregrinos de deixarem para trás a roupa e o calçado ao chegar ao fim do Caminho. O grupo adorou — foi uma tarde diferente, a interromper os dias inteiros de praia.
No penúltimo dia, sem planear, apanhámos as Festas Patronais e do Carme, que acontecem todos os anos no início de setembro em Finisterra. Vimos a procissão a passar pelas ruas da vila, seguida da procissão marítima com oferenda floral ao mar em memória dos falecidos. Foi um dos momentos mais bonitos dos quatro dias.
Para quem faz da comida parte da viagem: ao chegar, já cansados da estrada e sem tempo para ir às compras, a primeira noite resolveu-se na Pizzeria Anchoa, ali perto. Para as restantes refeições, cozinhámos em casa, com compras feitas no supermercado. Ainda assim, comemos fora em três ocasiões que valem a pena registar.
Para os pequenos-almoços e lanches, o sítio certo foi o Chejei Café Degustación, com pastelaria variada e um ambiente muito agradável — dos que dão vontade de ficar mais tempo do que o previsto. Numa das noites, fomos ao Etel&Pan, que tinha boas opções vegetarianas para uma pessoa do grupo e preços simpáticos; aqui pedi o Boca do Río, um hambúrguer de vaca cachena com queijo de Arzúa, e acabámos por dividir sobremesas que estavam deliciosas. Já no último dia, escolhemos o Mamá Celia, um sítio de petiscos de marisco pensado para partilhar — ideal para fechar a estadia à mesa em grupo.
Finisterra é um destino para quem procura espairecer, gastar pouco e conjugar praia com história — sem ter de escolher entre as duas coisas. Não precisámos de andar a léguas de distância à procura de sossego, nem de gastar muito para o encontrar: bastaram quatro noites, uma casa em frente ao mar por 96 euros cada, e a vontade de voltar a um sítio que, sem sabermos, já nos esperava desde maio. Fomos muito felizes.