Uma comunicação fraudulenta em nome da ANACOM está a atingir cidadãos em Portugal e pode provocar perdas financeiras significativas. O esquema, que recorre a chamadas telefónicas e videochamadas, utiliza técnicas de intimidação e manipulação psicológica para convencer as vítimas a transferir dinheiro.
O que dizem os burlões na chamada?
Os criminosos apresentam-se como inspetores da Polícia Judiciária, utilizando nomes e departamentos falsos para ganhar credibilidade.
Durante a chamada, alegam que o número de telefone da vítima está associado ao envio massivo de mensagens fraudulentas. Em alguns casos, chegam mesmo a afirmar que existe um mandado de captura em nome da pessoa contactada.
Porque tentam criar urgência?
Uma das técnicas utilizadas consiste em pressionar a vítima com prazos curtos. Os burlões afirmam, por exemplo, que o número de telemóvel será bloqueado no prazo de duas horas caso a situação não seja resolvida.
O objetivo é impedir que a pessoa tenha tempo para refletir, confirmar a informação ou pedir aconselhamento.
Porque propõem uma videochamada?
Após o contacto inicial, os criminosos oferecem duas supostas soluções: deslocar-se às instalações da Polícia Judiciária ou prestar declarações através de uma videochamada.
A maioria das vítimas acaba por escolher a segunda opção por ser mais rápida e conveniente.
O que acontece durante a videochamada?
Quando conseguem estabelecer a videochamada, os burlões reforçam a encenação. Fazem-se passar por autoridades, utilizam logótipos da Polícia Judiciária como fundo e comunicam à vítima que está envolvida num alegado esquema de branqueamento de capitais.
Para aumentar a pressão psicológica, podem enviar mensagens de visualização única com imagens de pessoas procuradas por crimes, tentando convencer a vítima de que está perante uma investigação real.
Como conseguem convencer as vítimas a pagar?
Os criminosos recorrem a técnicas de manipulação emocional para levar a pessoa a "provar a sua inocência".
Durante a conversa, podem questionar a situação financeira da vítima, analisar os seus bens e alegar que é necessário realizar transferências para proteger o dinheiro ou colaborar com a investigação.
O passo final é o pedido de transferência de dinheiro através de um IBAN controlado pelos burlões.
Como se proteger desta burla?
A regra mais importante é simples: desligue imediatamente a chamada se alguém alegar representar a ANACOM, a Polícia Judiciária ou outra autoridade e pedir informações pessoais ou transferências bancárias.
Nenhuma autoridade legítima solicita transferências de dinheiro para provar inocência, evitar detenções ou desbloquear números de telefone.
Se receber um contacto deste género, interrompa a comunicação e reporte a situação às autoridades.