Se no verão há sempre alguém a pedir para desligar o ar condicionado enquanto outra pessoa já está a derreter, há uma explicação. “Está frio aqui” ou “Como é que podes ter frio com esta temperatura?” são frases que se ouvem frequentemente em escritórios, restaurantes e até em casa. E há uma ideia que se repete: as mulheres têm mais frio do que os homens.
Mas será mesmo verdade? A resposta não é tão simples. A forma como sentimos a temperatura depende de vários fatores, desde a composição do corpo até à circulação sanguínea, às hormonas e à forma como o cérebro interpreta o ambiente.
A massa muscular pode fazer diferença
A Thermor reuniu informação científica sobre o tema e explica que a forma como sentimos o calor e o frio é influenciada por vários fatores, como a massa muscular, a circulação sanguínea, as hormonas, a humidade do ar e até a forma como o cérebro interpreta a temperatura. Em média, os homens têm uma maior percentagem de massa muscular. Como os músculos produzem calor, isto pode fazer com que o corpo gere mais calor naturalmente.
As mulheres, por terem geralmente menos massa muscular, podem produzir menos calor metabólico e sentir mais frio em determinadas condições.
Mas há outro fator importante: as mãos e os pés
Quando está frio, o organismo reduz o fluxo de sangue para as extremidades para conservar calor. Esta resposta tende a ser mais acentuada nas mulheres, o que pode fazer com que mãos e pés arrefeçam mais rapidamente.
As hormonas também contam
As alterações hormonais ao longo do ciclo menstrual podem influenciar a temperatura corporal.
Depois da ovulação, por exemplo, a progesterona faz a temperatura corporal subir ligeiramente - normalmente entre 0,3 e 0,5 ºC. Pode parecer pouco, mas estas pequenas diferenças podem alterar a forma como o ambiente é sentido.
E há uma razão pela qual 25 ºC podem parecer diferentes
Já reparou que uma sala pode parecer fresca quando acaba de chegar da rua num dia de calor, mas demasiado fria depois de estar lá dentro durante horas? É normal. O cérebro adapta-se às condições a que estamos expostos e compara constantemente a temperatura atual com a anterior. Por isso, duas pessoas no mesmo espaço podem sentir temperaturas diferentes.
E não são apenas os graus que contam. A humidade também influencia bastante o conforto. Quando o ar está muito húmido, o suor evapora mais dificilmente e o corpo tem mais dificuldade em libertar calor. Resultado: podemos sentir muito mais calor do que aquilo que o termómetro indica.
Então, quem tem mais frio?
Não existe uma regra que diga que todas as mulheres têm mais frio do que todos os homens. Idade, composição corporal, atividade física, circulação, hormonas e até a adaptação ao ambiente podem fazer com que duas pessoas tenham sensações térmicas completamente diferentes.
É por isso que também não existe uma temperatura “perfeita” para toda a gente. No fundo, a próxima discussão sobre o ar condicionado pode não ser apenas uma questão de preferência: há mesmo diferenças no modo como cada corpo sente a temperatura.