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Afinal, como é um funeral chinês? Influencer quebra o tabu

IOL
7 mai., 10:30
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É um tabu para os chineses e a crença é a de que atrai azar falar do tema

O tema suscita muita curiosidade e Hugo Cuan, um influencer luso-chinês que conta com mais de 70 mil seguidores no Instagram, quebrou o tabu que caracteriza a cultura da sua família. “Uma das perguntas que mais fazem é como é que são os enterros chineses. Eu nunca participei aqui em Portugal, nem cá fora, mas já participei uma vez na China, em 2018. O meu avô tinha acabado de falecer e eu e a minha mãe tivemos de ir de urgência para a China”, começa por contar num vídeo que publicou na sua conta.

O jovem conta que a tradição é mesmo muito diferente da vivida nos funerais portugueses e partilha a sua experiência pessoa na China, ressalvando que existem muitas especificidades regionais, já que existe muita “diversidade cultural e religiosa dentro da China”.

Mas relata a sua experiência pessoal: “Todos os familiares se vestem de branco da cabeça aos pés e partimos da nossa casa ancestral da aldeia. Nós, familiares, saímos de casa sempre a olhar para o chão, o que significa respeito pelo falecido e pelos espíritos. Sempre em fila indiana, seguindo as instruções do sacerdote e andando pela aldeia”, relata.

Durante este percurso feito pelos parentes, os restantes habitantes da aldeia assistem a este ritual, a um momento musical e, no final, almoçam. “Nós fazíamos vénias, chorávamos em voz alta e gritávamos. Além disso, queimava-se incenso, dinheiro falso, faziam-se oferendas, entre outros rituais próprios da nossa religião”, recorda Hugo Cuan.

De seguida, a família segue para uma espécie de casa mortuária em que o corpo está numa urna aberta. “Em fila indiana, andávamos às voltas da urna do meu avô, ajoelhávamo-nos, chorávamos e seguíamos aquilo que o sacerdote dizia para nós falarmos”, relata, recordando que foi nesse momento que sentiu mais dor, um momento muito “pesado”.

“Depois voltámos de transporte para a aldeia e, desde a saída do transporte até à casa da aldeia, pedíamos sempre ao nosso avô para voltar para casa. Finalizámos o ritual em casa”, conta.

“Nós, familiares, não participámos diretamente no enterro do meu avô, mas a urna com as cinzas dele foi enterrada na encosta do monte da aldeia, num género de túmulo com formato de monte”, refere, explicando que “a localização do túmulo também importa muito” e que, por isso, é consultado um mestre de feng shui.

“Este assunto realmente é um tabu para os chineses e é por isso que não se fala assim tanto, até porque é considerado inauspicioso e acredita-se que atrai azar. Eu não acredito muito nisso, mas tenho a certeza de que a minha mãe vai chatear-se comigo e zangar-se comigo”, remata o jovem luso-chinês.

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