GNR alerta para novo esquema de burla. Foto: GNR
GNR alerta para novo esquema de burla. Foto: GNR | Foto: GNR

Recebeu uma fotografia de um familiar desaparecido? GNR alerta para nova burla insólita que já fez vítimas em Portugal

Mafalda Mourão
23 set., 12:15

A GNR alerta famílias de pessoas desaparecidas para um novo modus operandi: falsas fotografias, imagens criadas por IA, pedidos de dinheiro e ameaças. Saiba como agir

A Guarda Nacional Republicana alerta para um novo modus operandi em que suspeitos contactam familiares ou amigos de pessoas desaparecidas e usam informação publicada nas redes sociais para construir histórias falsas. As imagens podem até ser manipuladas ou criadas com inteligência artificial.

O esquema é este: imagine receber uma fotografia de um familiar desaparecido. Na imagem, a pessoa parece estar ferida, assustada e num local isolado. A mensagem que acompanha a fotografia garante que alguém sabe onde ela está, mas exige dinheiro para revelar o paradeiro.

É precisamente este cenário que a Guarda Nacional Republicana (GNR) está a alertar para evitar.

Num alerta divulgado nas redes sociais, a força de segurança chama a atenção para um modus operandi que pode atingir particularmente famílias e amigos de pessoas desaparecidas. O objetivo dos suspeitos será aproveitar-se do desespero e da informação disponível publicamente para criar uma história aparentemente credível.

E há um detalhe que torna este tipo de burla ainda mais difícil de detetar: as fotografias apresentadas como prova podem ser manipuladas ou produzidas através de inteligência artificial.

Como funciona este esquema?

Segundo a GNR, os suspeitos podem começar por acompanhar as publicações feitas nas redes sociais ou noutros meios públicos sobre o desaparecimento.

Fotografias, características físicas, circunstâncias em que a pessoa desapareceu e até contactos disponibilizados pelas famílias podem fornecer aos burlões informação suficiente para construir uma narrativa personalizada.

Depois, podem contactar familiares ou amigos e afirmar que sabem onde está a pessoa desaparecida.

Em alguns casos, podem até fazer-se passar pela própria pessoa ou apresentar uma fotografia que aparentemente demonstra que está viva, mas em perigo.

A partir daí, o contacto pode evoluir para pedidos de dinheiro, ameaças ou até para a criação de um falso cenário de rapto ou sequestro, alerta a GNR.

A fotografia pode parecer verdadeira, mas não ser. É aqui que entra uma das componentes mais preocupantes do alerta. Uma imagem de uma pessoa aparentemente ferida pode causar uma reação imediata numa família que está desesperadamente à procura de alguém.

No entanto, a GNR alerta que essas imagens podem ser manipuladas ou produzidas com recurso a inteligência artificial. Ou seja, aquilo que parece ser uma prova de que a pessoa desaparecida está viva e em perigo pode, na realidade, fazer parte de uma tentativa de burla.

A utilização de informação pública e de imagens para dar credibilidade a esquemas fraudulentos não é, de resto, uma preocupação nova para as autoridades. A própria GNR aconselha os cidadãos a desconfiar de contactos suspeitos, a não partilhar dados pessoais ou bancários e a guardar provas quando existe suspeita de burla.

O que fazer se receber uma mensagem destas?

A GNR deixa um conjunto de recomendações muito concretas para familiares ou amigos de pessoas desaparecidas.

Não tente investigar ou confirmar a informação sozinho. Mesmo que a mensagem pareça credível e a fotografia seja aparentemente convincente, a orientação é não assumir que a informação é verdadeira.

A GNR recomenda ainda:

  • Não fazer qualquer pagamento;

  • Não fornecer novos dados pessoais ou informações sobre a família;

  • Guardar todas as mensagens recebidas;

  • Guardar fotografias, números de telefone e perfis utilizados no contacto;

  • Contactar imediatamente as autoridades e transmitir toda a informação recebida.

Estas precauções são particularmente importantes porque uma família pode, num momento de enorme fragilidade emocional, sentir que tem de agir imediatamente.

Divulgar o desaparecimento continua a ser importante

O alerta da GNR não significa que as famílias devam deixar de divulgar o desaparecimento de uma pessoa. Pelo contrário: a divulgação pode ser fundamental para aumentar a possibilidade de localização.

O problema surge depois, quando essa informação pública pode ser aproveitada por terceiros para tentar enganar familiares e amigos. É por isso que a GNR pede atenção redobrada perante contactos inesperados que aleguem ter informações sobre o paradeiro de uma pessoa desaparecida.

Uma fotografia não é, por si só, prova de que aquilo que está a ser contado é verdade. E, perante um pedido de dinheiro, uma ameaça ou uma alegada prova de vida, a recomendação das autoridades é clara: não pagar, não fornecer mais informação e contactar imediatamente as autoridades.

Veja, agora, o alerta da GNR sobre este novo esquema:

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