A Guarda Nacional Republicana alerta para um novo modus operandi em que suspeitos contactam familiares ou amigos de pessoas desaparecidas e usam informação publicada nas redes sociais para construir histórias falsas. As imagens podem até ser manipuladas ou criadas com inteligência artificial.
O esquema é este: imagine receber uma fotografia de um familiar desaparecido. Na imagem, a pessoa parece estar ferida, assustada e num local isolado. A mensagem que acompanha a fotografia garante que alguém sabe onde ela está, mas exige dinheiro para revelar o paradeiro.
É precisamente este cenário que a Guarda Nacional Republicana (GNR) está a alertar para evitar.
Num alerta divulgado nas redes sociais, a força de segurança chama a atenção para um modus operandi que pode atingir particularmente famílias e amigos de pessoas desaparecidas. O objetivo dos suspeitos será aproveitar-se do desespero e da informação disponível publicamente para criar uma história aparentemente credível.
E há um detalhe que torna este tipo de burla ainda mais difícil de detetar: as fotografias apresentadas como prova podem ser manipuladas ou produzidas através de inteligência artificial.
Como funciona este esquema?
Segundo a GNR, os suspeitos podem começar por acompanhar as publicações feitas nas redes sociais ou noutros meios públicos sobre o desaparecimento.
Fotografias, características físicas, circunstâncias em que a pessoa desapareceu e até contactos disponibilizados pelas famílias podem fornecer aos burlões informação suficiente para construir uma narrativa personalizada.
Depois, podem contactar familiares ou amigos e afirmar que sabem onde está a pessoa desaparecida.
Em alguns casos, podem até fazer-se passar pela própria pessoa ou apresentar uma fotografia que aparentemente demonstra que está viva, mas em perigo.
A partir daí, o contacto pode evoluir para pedidos de dinheiro, ameaças ou até para a criação de um falso cenário de rapto ou sequestro, alerta a GNR.
A fotografia pode parecer verdadeira, mas não ser. É aqui que entra uma das componentes mais preocupantes do alerta. Uma imagem de uma pessoa aparentemente ferida pode causar uma reação imediata numa família que está desesperadamente à procura de alguém.
No entanto, a GNR alerta que essas imagens podem ser manipuladas ou produzidas com recurso a inteligência artificial. Ou seja, aquilo que parece ser uma prova de que a pessoa desaparecida está viva e em perigo pode, na realidade, fazer parte de uma tentativa de burla.
A utilização de informação pública e de imagens para dar credibilidade a esquemas fraudulentos não é, de resto, uma preocupação nova para as autoridades. A própria GNR aconselha os cidadãos a desconfiar de contactos suspeitos, a não partilhar dados pessoais ou bancários e a guardar provas quando existe suspeita de burla.
O que fazer se receber uma mensagem destas?
A GNR deixa um conjunto de recomendações muito concretas para familiares ou amigos de pessoas desaparecidas.
Não tente investigar ou confirmar a informação sozinho. Mesmo que a mensagem pareça credível e a fotografia seja aparentemente convincente, a orientação é não assumir que a informação é verdadeira.
A GNR recomenda ainda:
Não fazer qualquer pagamento;
Não fornecer novos dados pessoais ou informações sobre a família;
Guardar todas as mensagens recebidas;
Guardar fotografias, números de telefone e perfis utilizados no contacto;
Contactar imediatamente as autoridades e transmitir toda a informação recebida.
Estas precauções são particularmente importantes porque uma família pode, num momento de enorme fragilidade emocional, sentir que tem de agir imediatamente.
Divulgar o desaparecimento continua a ser importante
O alerta da GNR não significa que as famílias devam deixar de divulgar o desaparecimento de uma pessoa. Pelo contrário: a divulgação pode ser fundamental para aumentar a possibilidade de localização.
O problema surge depois, quando essa informação pública pode ser aproveitada por terceiros para tentar enganar familiares e amigos. É por isso que a GNR pede atenção redobrada perante contactos inesperados que aleguem ter informações sobre o paradeiro de uma pessoa desaparecida.
Uma fotografia não é, por si só, prova de que aquilo que está a ser contado é verdade. E, perante um pedido de dinheiro, uma ameaça ou uma alegada prova de vida, a recomendação das autoridades é clara: não pagar, não fornecer mais informação e contactar imediatamente as autoridades.
Veja, agora, o alerta da GNR sobre este novo esquema: