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Herança digital: Como preparar em vida

Doutor Finanças
28 out. 2025, 12:41
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A herança digital inclui tudo o que fica online após a morte. Prepará-la em vida é a forma de evitar burocracias, proteger informações e facilitar o acesso dos seus herdeiros

O tema é delicado e sensível, e a verdade é que evitamos pensar nele no dia a dia. A vida digital não termina quando alguém morre: há contas de e-mail e redes sociais, fotografias e ficheiros em nuvem, subscrições, domínios e até carteiras digitais.

Em Portugal, o enquadramento legal ainda tem zonas cinzentas, por isso, a melhor forma de evitar problemas é deixar instruções claras em vida.

Assim, planear tudo previamente impede que se percam memórias e evita burocracia numa fase difícil.

O que é a herança digital e quem tem acesso?

A herança digital são todos os bens, contas e dados pessoais online que permanecem após a morte dessa pessoa. Podem ser e-mails, mensagens, contas nas redes sociais, subscrições, serviços financeiros ou conteúdos criados online, por exemplo.

A questão do acesso a esta herança é suscetível de dúvidas, uma vez que ainda não é clara ou uniforme em muitos países, incluindo Portugal.

Se os ativos digitais com valor económico (como criptomoedas, saltos em contas online ou créditos em plataformas) entram na herança, já não é tão claro o que acontece aos conteúdos como mensagens privadas ou e-mails, porque podem ser considerados direitos pessoais.

Mas ignorar a herança digital pode trazer problemas como perda de memórias, complicações legais, questões de privacidade e custos escondidos por continuarem a ser pagas subscrições sem uso.

Como preparar a herança digital em vida

Preparar a herança digital é a forma de facilitar a vida aos herdeiros. Explicamos como pode prepará-la em seis passos.

1. Faça um inventário das contas e serviços
Liste as contas que usa no dia a dia e foque-se no que tem valor emocional e prático, como fotografias, mensagens, faturas ou documentos.

2. Decida o destino de cada conta
Defina a preferência para cada plataforma. Pode ir desde partilhar os dados, apagar contas ou transformá-las em memoriais. Escreva quem pode tratar de cada uma. Se não houver uma decisão prévia, os familiares podem pedir ações às plataformas, mas tudo é analisado caso a caso e com limites.

3. Use as ferramentas das plataformas
Algumas plataformas permitem ativar funcionalidades que podem fazer toda a diferença e facilitar a vida dos herdeiros.

Na Google, o Gestor de Contas Inativas permite partilhar dados ou apagar a conta após um período de inatividade.

A Apple permite nomear um contacto de legado que pode pedir acesso a parte dos seus dados à Apple após a sua morte. Já o Facebook permite escolher entre manter o perfil como memorial ou eliminar a conta e, no Instagram, os familiares podem pedir a conversão da conta em memorial com prova de falecimento via formulário oficial, além de poderem solicitar a remoção da conta.

4. Guarde os acessos com segurança
Não guarde as palavras-passe em papel ou e-mail. Em vez disso, refira um gestor de passwords com acesso de emergência. Documente também onde está essa informação e quem pode ter acesso.

5. Informe as pessoas de confiança
Diga onde está o dossiê com instruções e quem é o executor digital. Também pode incluir informações sobre a herança digital num testamento tradicional.

6. Atualize regularmente
Por fim, sempre que houver alterações relevantes, atualize todas as informações de que falámos acima.

 

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