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Trabalhou durante 49 anos, mas acabou a viver numa carrinha: "Nunca pensei que teria de me preocupar onde vou dormir"

IOL
30 jun., 16:10
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"Depois de uma vida inteira a trabalhar, nunca pensei que, à minha idade, teria de me preocupar onde vou dormir amanhã"

Depois de quase meio século de trabalho e uma vida inteira de descontos para a Segurança Social, Juan nunca imaginou que, perto dos 80 anos, acabaria sem casa. O reformado espanhol viu-se obrigado a viver numa carrinha durante vários meses, depois de perder a habitação arrendada onde vivia e de não conseguir encontrar outra que pudesse pagar com a sua pensão.

De acordo com o site Noticias Trabajo, a história foi contada pelo próprio numa entrevista à Antena 3 Noticias, onde explicou que tudo começou quando foi informado de que o contrato de arrendamento da sua casa, na Catalunha, não seria renovado. Sem alternativas acessíveis, iniciou uma longa procura por uma nova habitação.

Durante esse período, percorreu mais de 3.000 quilómetros ao volante da sua carrinha, passando cerca de dois meses a dormir no veículo enquanto tentava encontrar uma casa compatível com o seu orçamento.

"Passei dois meses a viver na carrinha. Percorri mais de 3.000 quilómetros à procura de uma casa com uma renda acessível", contou.

Juan começou a trabalhar aos 14 anos e acumulou 49 anos de descontos para a Segurança Social. Apesar disso, diz que o valor da reforma não acompanha o aumento das rendas.

O reformado recebe 1.000 euros por mês, mas afirma que não pode gastar mais de 450 euros no pagamento de uma renda, um valor que considera insuficiente para encontrar casa nas zonas onde procurou.

"Depois de uma vida inteira a trabalhar, nunca pensei que, à minha idade, teria de me preocupar onde vou dormir amanhã", lamentou.

Após vários meses sem conseguir encontrar uma solução, Juan recebeu apoio temporário de um sindicato, que lhe disponibilizou um apartamento com 32 metros quadrados.

"Tive muita sorte porque o sindicato me disponibilizou este apartamento. Está bem, mas gostava de encontrar um que pudesse pagar sozinho. Não quero incomodar ninguém", explicou.

Para além da procura no mercado de arrendamento, Juan está inscrito há três anos na lista de espera para conseguir uma habitação de proteção oficial. No entanto, continua sem receber uma resposta.

Enquanto espera por uma solução definitiva, mantém a esperança de encontrar uma casa com uma renda compatível com a sua reforma e recuperar a estabilidade que perdeu depois de o contrato de arrendamento ter chegado ao fim.

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