Filha de famosa atriz morreu asfixiada com película aderente. Corpo esteve três dias escondido antes de ser enterrado
Maria Amaral foi encontrada morta após desaparecer na Lourinhã. Acusação revela pormenores do crime e da tentativa de ocultar o corpo
A promessa de uma angariação imobiliária terá servido para atrair Maria Custódia Amaral até uma casa na Lourinhã. O que aconteceu depois, segundo a acusação do Ministério Público, foi um homicídio planeado ao pormenor: a agente imobiliária foi imobilizada, agredida e morreu asfixiada depois de o suspeito lhe envolver a cabeça em película aderente. O corpo permaneceu escondido durante três dias antes de ser transportado e enterrado.
Maria Amaral, filha da atriz Delfina Cruz, desapareceu em janeiro deste ano, na zona da Lourinhã. Tinha saído para tratar de uma possível angariação imobiliária e chegou a dizer ao namorado que iria deslocar-se a uma habitação em São Bartolomeu dos Galegos.
Dias depois, a Polícia Judiciária deteve um homem de 35 anos, antigo inquilino da vítima, que passou a ser apontado como principal suspeito do homicídio. Agora, com a divulgação da acusação deduzida pelo Ministério Público, são conhecidos novos detalhes sobre o que terá acontecido.
Uma falsa angariação imobiliária
De acordo com o documento do Ministério Público, o arguido terá contactado Maria Amaral sob o pretexto de colocar à venda uma casa em São Bartolomeu dos Galegos, no concelho da Lourinhã.
A vítima deslocou-se ao local acreditando que iria tratar de uma oportunidade profissional. Mas, segundo a acusação, terá sido surpreendida pelo suspeito assim que chegou à habitação.
O Ministério Público sustenta que o homem imobilizou Maria Amaral, amarrou-lhe os braços, despiu-a e agrediu-a. Terá depois colocado película aderente em torno da cabeça da vítima, provocando a obstrução das vias respiratórias e, consequentemente, a sua morte.
A acusação, datada de 10 de julho, descreve um crime que terá sido preparado e executado de forma organizada. O motivo que terá estado na origem do homicídio permanece, contudo, por esclarecer.
Corpo ficou escondido durante três dias
Depois da morte, o suspeito terá colocado o corpo e a roupa da vítima dentro de sacos de plástico e escondido tudo na arrecadação da habitação.
Maria Amaral terá permanecido naquele local durante três dias. Nesse período, segundo o Ministério Público, o arguido levou consigo o telemóvel e o computador da vítima. Terá ainda conduzido o automóvel de Maria Amaral até ao Parque D. Carlos I, onde atirou o telemóvel para um lago e colocou o computador num contentor do lixo.
De seguida, deslocou-se para Peniche, onde abandonou a viatura. O regresso a casa terá sido feito de táxi. Nos dias seguintes, o homem terá procurado eliminar vestígios relacionados com o crime. Segundo a acusação, enviou também várias mensagens para o telemóvel de Maria Amaral, simulando preocupação com o desaparecimento da agente imobiliária e procurando, dessa forma, afastar as suspeitas.
Corpo foi levado para a Lagoa de Óbidos
Na noite de 23 de janeiro, o arguido terá decidido retirar o corpo da habitação. Segundo o Ministério Público, envolveu Maria Amaral em cobertores, colocou-a na bagageira de um automóvel e transportou-a até à Lagoa de Óbidos. Foi nesse local que terá enterrado o corpo.
A Polícia Judiciária anunciou a detenção do suspeito oito dias depois. A investigação, desenvolvida desde o momento em que foi comunicado o desaparecimento, permitiu às autoridades reunir provas que conduziram à identificação do homem.
Durante uma busca à residência do arguido foram encontrados vestígios de sangue considerados relevantes para a investigação. As autoridades terão ainda localizado cartões bancários pertencentes à vítima, a chave do seu automóvel e a roupa que Maria Amaral usava no dia em que desapareceu.
O homem está acusado de um crime de homicídio qualificado e de outro de profanação de cadáver. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de fevereiro, a aguardar julgamento.
"A vida perdeu o sentido"
A morte de Maria Amaral foi confirmada 12 dias depois do desaparecimento, provocando uma onda de consternação entre familiares e amigos. Uma sobrinha da vítima recorreu às redes sociais para recordar o período de incerteza que antecedeu a confirmação da morte, marcado pela esperança de que Maria pudesse regressar a casa.
"Foram 12 dias agarrada à esperança, 12 dias de dor, de medo e de sofrimento. E mesmo assim, no fundo do meu coração, eu acreditava… Acreditava que te ia voltar a abraçar. Quando soube que tinhas partido o mundo parou. A vida perdeu o sentido."
Também a cantora Nucha, amiga de Maria Amaral, reagiu publicamente à morte. "Minha querida Maria Amaral... Não sei o que escrever... Que a tua alma descanse junto da tua querida mãe. Estou tão, mas tão mal com o que vejo neste mundo."