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Filha de famosa atriz morreu asfixiada com película aderente. Corpo esteve três dias escondido antes de ser enterrado

IOL
7 ago., 09:25

Maria Amaral foi encontrada morta após desaparecer na Lourinhã. Acusação revela pormenores do crime e da tentativa de ocultar o corpo

A promessa de uma angariação imobiliária terá servido para atrair Maria Custódia Amaral até uma casa na Lourinhã. O que aconteceu depois, segundo a acusação do Ministério Público, foi um homicídio planeado ao pormenor: a agente imobiliária foi imobilizada, agredida e morreu asfixiada depois de o suspeito lhe envolver a cabeça em película aderente. O corpo permaneceu escondido durante três dias antes de ser transportado e enterrado.

Maria Amaral, filha da atriz Delfina Cruz, desapareceu em janeiro deste ano, na zona da Lourinhã. Tinha saído para tratar de uma possível angariação imobiliária e chegou a dizer ao namorado que iria deslocar-se a uma habitação em São Bartolomeu dos Galegos.

Dias depois, a Polícia Judiciária deteve um homem de 35 anos, antigo inquilino da vítima, que passou a ser apontado como principal suspeito do homicídio. Agora, com a divulgação da acusação deduzida pelo Ministério Público, são conhecidos novos detalhes sobre o que terá acontecido.

Uma falsa angariação imobiliária

De acordo com o documento do Ministério Público, o arguido terá contactado Maria Amaral sob o pretexto de colocar à venda uma casa em São Bartolomeu dos Galegos, no concelho da Lourinhã.

A vítima deslocou-se ao local acreditando que iria tratar de uma oportunidade profissional. Mas, segundo a acusação, terá sido surpreendida pelo suspeito assim que chegou à habitação.

O Ministério Público sustenta que o homem imobilizou Maria Amaral, amarrou-lhe os braços, despiu-a e agrediu-a. Terá depois colocado película aderente em torno da cabeça da vítima, provocando a obstrução das vias respiratórias e, consequentemente, a sua morte.

A acusação, datada de 10 de julho, descreve um crime que terá sido preparado e executado de forma organizada. O motivo que terá estado na origem do homicídio permanece, contudo, por esclarecer.

Corpo ficou escondido durante três dias

Depois da morte, o suspeito terá colocado o corpo e a roupa da vítima dentro de sacos de plástico e escondido tudo na arrecadação da habitação.

Maria Amaral terá permanecido naquele local durante três dias. Nesse período, segundo o Ministério Público, o arguido levou consigo o telemóvel e o computador da vítima. Terá ainda conduzido o automóvel de Maria Amaral até ao Parque D. Carlos I, onde atirou o telemóvel para um lago e colocou o computador num contentor do lixo.

De seguida, deslocou-se para Peniche, onde abandonou a viatura. O regresso a casa terá sido feito de táxi. Nos dias seguintes, o homem terá procurado eliminar vestígios relacionados com o crime. Segundo a acusação, enviou também várias mensagens para o telemóvel de Maria Amaral, simulando preocupação com o desaparecimento da agente imobiliária e procurando, dessa forma, afastar as suspeitas.

Corpo foi levado para a Lagoa de Óbidos

Na noite de 23 de janeiro, o arguido terá decidido retirar o corpo da habitação. Segundo o Ministério Público, envolveu Maria Amaral em cobertores, colocou-a na bagageira de um automóvel e transportou-a até à Lagoa de Óbidos. Foi nesse local que terá enterrado o corpo.

A Polícia Judiciária anunciou a detenção do suspeito oito dias depois. A investigação, desenvolvida desde o momento em que foi comunicado o desaparecimento, permitiu às autoridades reunir provas que conduziram à identificação do homem.

Durante uma busca à residência do arguido foram encontrados vestígios de sangue considerados relevantes para a investigação. As autoridades terão ainda localizado cartões bancários pertencentes à vítima, a chave do seu automóvel e a roupa que Maria Amaral usava no dia em que desapareceu.

O homem está acusado de um crime de homicídio qualificado e de outro de profanação de cadáver. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de fevereiro, a aguardar julgamento.

"A vida perdeu o sentido"

A morte de Maria Amaral foi confirmada 12 dias depois do desaparecimento, provocando uma onda de consternação entre familiares e amigos. Uma sobrinha da vítima recorreu às redes sociais para recordar o período de incerteza que antecedeu a confirmação da morte, marcado pela esperança de que Maria pudesse regressar a casa.

"Foram 12 dias agarrada à esperança, 12 dias de dor, de medo e de sofrimento. E mesmo assim, no fundo do meu coração, eu acreditava… Acreditava que te ia voltar a abraçar. Quando soube que tinhas partido o mundo parou. A vida perdeu o sentido."

Também a cantora Nucha, amiga de Maria Amaral, reagiu publicamente à morte. "Minha querida Maria Amaral... Não sei o que escrever... Que a tua alma descanse junto da tua querida mãe. Estou tão, mas tão mal com o que vejo neste mundo."
 

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