Sofreu queimaduras graves em bebé e viu o namorado ser assassinado. Hoje, esta portuguesa pede na rua para dar comida aos filhos
Ana Ferreira sobreviveu a queimaduras em bebé e ao ataque que matou o companheiro quando estava grávida. A história está a emocionar o País
As cicatrizes no rosto e nas mãos são apenas a parte visível da história de Ana Ferreira. Por detrás dessas marcas está uma vida marcada por tragédias sucessivas, sobrevivência e uma luta diária para conseguir alimentar os três filhos.
Foi na Rua de Santa Catarina, no Porto, uma das zonas mais movimentadas da cidade, que a equipa do Dois às 10, da TVI, encontrou Ana a pedir ajuda. A conversa acabou por revelar um percurso de vida difícil que emocionou os telespectadores.
Ana tinha apenas um ano de idade quando sofreu queimaduras graves num acidente com uma vela. O incidente deixou-lhe marcas permanentes no rosto e nas mãos e obrigou-a a passar grande parte da infância entre hospitais, cirurgias e tratamentos.
Além das consequências físicas, enfrentou também anos de discriminação e episódios de bullying durante a infância e adolescência devido à sua aparência.
Já em adulta, acreditou que a vida lhe estava finalmente a sorrir quando conheceu Paulo. Os dois apaixonaram-se e preparavam-se para receber o primeiro filho quando tudo mudou de forma dramática.
Grávida de três meses, Ana assistiu ao homicídio do companheiro dentro da própria casa. Segundo relatou no matutino da TVI, o senhorio entrou armado na habitação devido a uma renda em atraso de 180 euros.
Paulo foi baleado e esfaqueado, acabando por morrer no local. Ana também foi atingida por um disparo e sofreu golpes de arma branca, mas sobreviveu ao ataque. Apesar da violência daquele dia, a filha que esperava nasceu saudável.
A luta para criar três filhos
Com o passar dos anos, Ana voltou a reconstruir a vida. Tornou-se novamente mãe e teve mais dois filhos. No entanto, uma nova separação deixou-a sozinha a cuidar das três crianças. Sem conseguir encontrar emprego, acredita que as marcas físicas continuam a dificultar o acesso ao mercado de trabalho.
Há cerca de um ano e meio, desloca-se regularmente de Aveiro até à Rua de Santa Catarina, no Porto, onde pede ajuda para garantir o sustento da família. "Não tenho de me sentir envergonhada por pedir porque não estou a roubar", afirmou durante a conversa com o programa da TVI.
Apesar das dificuldades económicas e de todas as tragédias que marcaram a sua vida, Ana garante que não desiste. Diz que a prioridade continua a ser oferecer uma vida melhor aos filhos e acredita que todos os sacrifícios valem a pena para lhes proporcionar um futuro mais digno.
A história foi conhecida no Dois às 10, da TVI, onde o testemunho emocionou quem acompanhava o programa.