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O elevado número de idosos na população portuguesa e o facto de muitos deles viverem sozinhos, ou sem situações vulneráveis (43.074 idosos, de acordo com o Censos Sénior 2025), levou a start-up CompanIA a inovar e a criar uma nova solução tecnológica que funciona inteiramente através do WhatsApp, e que designou de Flora.
Desenhada com base em princípios de gerontologia comportamental e IA generativa de voz, a “amiga” Flora interage com o idoso. Dá-lhe os bons dias, partilha pequenas notícias e lembra, por exemplo, a toma da medicação.
No final de cada dia, a inteligência artificial processa todas as interações e envia para o telemóvel da pessoa responsável por acompanhar o idoso (filhos, por exemplo), um resumo do que aconteceu ao longo do dia. Através deste Daily Digest reporta a disposição do idoso, os temas das conversas, se tomou a medicação, se fez caminhadas, ou seja, envia uma descrição do seu bem-estar geral.
Os pilotos iniciais desta solução foram testados com dezenas de idosos e as métricas internas apontam para uma adesão consistente, de acordo com a start-up. Refira-se que o idoso não tem de instalar nada, nem precisa de mexer em novos ecrãs. Por outro lado, as chamadas diárias dos familiares passaram a ser menos logísticas e interrogatórias, ou seja, com menos questões relacionadas com medicação ou alimentação (porque a isso a aplicação já respondeu) e mais sobre questões afetivas, bem-estar e disposição geral.
Daniel Valle, fundador da CompanIA, destaca a privacidade desta solução, já que tem protocolos apertados, porque se o idoso fizer um desabafo mais íntimo, ou expuser uma insegurança, a aplicação não partilha essa informação no relatório enviado aos filhos. Isto porque a Flora deve atuar como uma amiga e confidente e não como uma espiã.
O criador da plataforma lembra que um dos erros da indústria da AgeTech é tratar os idosos, os nossos pais, como pacientes e não como pessoas com orgulho, história e dignidade. Por isso, a Flora atua como uma companhia real e estimulante, como uma ferramenta de apoio preventivo, ao invés de um mero botão “prova de vida”, como muitas outras soluções tecnológicas de apoio a seniores.
Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders