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"Inventa dados": médicos alertam para o perigo de usar o ChatGPT para questões de saúde

IOL
29 abr., 13:37
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ChatGPT preocupa médicos: uso crescente para questões de saúde pode ser perigoso

Médicos estão a alertar para os riscos de recorrer ao ChatGPT e outras ferramentas de inteligência artificial para esclarecer dúvidas de saúde, depois de um estudo recente ter revelado falhas significativas na qualidade da informação fornecida por estes sistemas.

Citado pelo site Noticias Trabajo, o médico de família Víctor Espuig, que tem vindo a chamar a atenção para esta tendência nas redes sociais, lançou o alerta. O profissional questiona o uso crescente da IA para interpretar sintomas ou resultados de exames, sublinhando que esta prática pode ser enganadora e potencialmente perigosa.

A preocupação surge na sequência de um estudo publicado na revista científica BMJ, intitulado “Chatbots baseados em inteligência artificial generativa e desinformação médica: uma análise da precisão, das referências e da legibilidade”. A investigação concluiu que quase metade das respostas médicas dadas pelas principais ferramentas de IA são problemáticas, incompletas ou incorretas.

O estudo analisou cinco sistemas, Gemini, DeepSeek, Meta AI, ChatGPT e Grok, através de 50 perguntas relacionadas com áreas como cancro, vacinas, células estaminais, nutrição e desempenho desportivo. As respostas foram avaliadas por especialistas e classificadas como “não problemáticas”, “ligeiramente problemáticas” ou “altamente problemáticas”. No total, 49,6% foram consideradas problemáticas.

Entre os principais problemas identificados está o facto de as respostas nem sempre estarem alinhadas com o consenso científico, além do uso de linguagem ambígua que pode induzir em erro. Os especialistas alertam ainda para a tendência destes sistemas em apresentar informações com aparente confiança, mesmo quando incorretas.

Segundo Víctor Espuig, um dos maiores riscos é a possibilidade de a IA “inventar dados ou citar estudos científicos que nem existem”, o que pode reforçar a credibilidade de informação falsa.

O estudo confirma também falhas graves nas referências apresentadas, com fontes incompletas ou inexistentes, sendo que nenhuma das plataformas analisadas conseguiu fornecer bibliografia totalmente correta. Em áreas como nutrição e suplementação, os erros foram ainda mais frequentes.

Apesar das críticas, os especialistas sublinham que a utilização da internet para procurar informação sobre saúde não é necessariamente negativa. No entanto, reforçam que estas ferramentas não substituem avaliação médica, uma vez que não têm acesso ao historial clínico nem capacidade de realizar exames físicos.

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