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Oitenta por cento dos alunos da Universidade de Coimbra usam IA na academia

Agência Lusa
31 mar., 16:10
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“Serve de auxílio, e nunca como base e fonte exclusiva dos factos”

Oitenta por cento dos alunos da Universidade de Coimbra (UC) utilizam a Inteligência Artificial (IA) para finalidades académicas, concluiu um inquérito da associação estudantil conimbricense, que apresentou um manifesto para a regulamentação desta ferramenta no ensino superior.

O estudo realizado pela Associação Académica de Coimbra (AAC), entre fevereiro e março, com mais de 200 estudantes da UC, demonstrou que 80% dos inquiridos utiliza IA no âmbito da academia, sendo 90% consideram que a ferramenta deve ser urgentemente regulamentada no ensino superior.

Os resultados do inquérito foram revelados hoje, numa conferência de imprensa para apresentação do “Manifesto da Associação Académica de Coimbra para a Regulamentação de Utilização de Inteligência Artificial no Ensino Superior”, um projeto colaborativo com o Núcleo de Estudantes de Informática (NEI) da AAC.

O documento elabora um enquadramento contextual, aliado à exposição de recomendações políticas no curto, médio e longo prazo.

Surge num contexto em que, apesar de várias instâncias já terem trabalhado legalmente a matéria, nomeadamente a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu, “em particular no ensino superior português se verificavam ainda uma série de zonas cinzentas”, afirmou o presidente da direção-geral da AAC, José Machado.

Também “face à clara insuficiência de diretrizes expostas por parte da tutela no que diz respeito ao enquadramento pedagógico e académico destas tecnologias, tornou-se indispensável um trabalho” como este.

"É evidente a necessidade de regularmos [a IA] e nos protegermos, potenciando, em simultâneo, as funcionalidades destas tecnologias”.

Ao realçar que a IA “não é para se ostracizar e excluir”, mas antes “para integrar, regulamentar e potenciar”, sublinhou que esta “não é uma geração de cretinos digitais”, e sim “de nativos digitais”.

A fala surge após dezenas de professores de instituições de ensino superior de todo do país terem assinado, em janeiro, um manifesto contra o uso da IA generativa, alertando para a transformação dos alunos em "cretinos digitais".

O vice-presidente da direção-geral da AAC, António Lopes, explicou que o documento segue a regra pedagógica de primeiro o esforço humano e depois a IA.

Quando é pedido que a IA “faça por nós o trabalho intelectual, estamos a abdicar daquilo que a educação deve proteger”, sustentou.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico já alertou “para o risco de preguiça cognitiva, quando os estudantes delegam em ferramentas generativas tarefas que deveriam servir para aprender”.

Assim, o uso deve estar “assente na procura de mais informação”, onde a IA “serve de auxílio, e nunca como base e fonte exclusiva dos factos”.

São recomendadas formações à comunidade docente e estudantil, uma regulamentação categórica e abrangente nos setores de atuação e utilização ética e consciente na aplicação destes recursos, além de ser frisada a importância deste tema para o mercado de trabalho, bem como a necessidade de atenção à veracidade e segurança dos conteúdos.

Em respostas aos jornalistas, José Machado orientou ainda “a redação do regulamento próprio por cada instituição de ensino superior, que depois se transponha para as unidades orgânicas”, realçando que as necessidades de cada faculdade e departamento serão diferentes.

O manifesto será remetido para o Conselho Geral e para a reitoria da UC e, num segundo momento, para a tutela, tendo a AAC adiantado que será igualmente solicitada uma audiência parlamentar neste âmbito.

Na conferência, o presidente do NEI da AAC, Gustavo Alves, afirmou que a IA já faz parte do “quotidiano académico” do Departamento de Engenharia Informática (DEI).

À margem da apresentação, o diretor do DEI, António Mendes, disse à Lusa que esta utilização se entende a toda a UC e a outras universidades, realçando a potencialidade da tecnologia enquanto ferramenta pedagógica, mas alertando para o perigo do plágio.

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