Há amizades que parecem acontecer por acaso. Pessoas que entram na nossa vida e com quem sentimos uma ligação imediata, como se nos conhecêssemos há muito mais tempo.
Foi exatamente isso que Dave Green e Andrea Urmston sentiram quando os seus caminhos se cruzaram no Aeroporto de Manchester. A história foi contada por ambos, numa entrevista à BBC News.
Mal se conheceram, deram-se bem. Conversavam durante horas, riam-se das mesmas coisas e havia uma cumplicidade difícil de explicar. A ligação tornou-se tão forte que, muitas vezes, até completavam as frases um do outro. Ao fim de algum tempo, a amizade já fazia parte da rotina. Quando não estavam a trabalhar, trocavam mensagens, telefonavam um ao outro e partilhavam momentos do dia a dia.
Nenhum dos dois imaginava que havia uma razão muito maior para aquela sintonia.
A conversa que mudou tudo
Foi durante um telefonema aparentemente banal que Dave revelou algo que nunca tinha contado a Andrea: tinha sido adotado quando era bebé e o seu nome à nascença era Stuart Proudlove.
Andrea ficou em choque. "Fiquei completamente paralisada e sem conseguir falar durante um minuto". Isto porque o apelido de solteira de Andrea era precisamente Proudlove. E havia mais um detalhe impossível de ignorar: antes de ela nascer, a mãe tinha dado um filho para adoção.
"Não é um apelido muito comum e tinha de ser ele. Tirando a minha família, nunca tinha ouvido esse apelido em mais lado nenhum", referiu a mulher. Ainda incrédula, Andrea telefonou de imediato à mãe para confirmar a data de nascimento do irmão que nunca conhecera.
Era exatamente a mesma: 24 de março de 1966. Sem perder tempo, voltou a ligar a Dave. "Disse-lhe: 'Tem de ser tu, tem mesmo de ser tu', e depois disse: 'Preciso de te ver'. Fui buscá-lo de imediato", contou.
Os irmãos que estiveram sempre mais perto do que imaginavam
Enquanto seguiam de carro para casa da mãe de Andrea, Dave teve outra descoberta inesperada: reconheceu o caminho. Durante anos, aquele tinha sido o percurso que fazia diariamente no seu trabalho. Passava regularmente em frente à casa da sua mãe biológica e pela escola onde Andrea estudava, sem nunca imaginar que a sua família estava ali, a poucos metros de distância.
Tinha passado anos tão perto de quem procurava, sem sequer saber. Quando finalmente chegaram a casa, a emoção tomou conta de todos. "Houve muitas lágrimas. Depois abraçámo-nos todos. Não conseguia acreditar que tinha conseguido reunir o meu irmão e a minha mãe. Foi extraordinário", recordou a protagonista desta história.
Andrea revelou que sempre soube que tinha um irmão. A mãe contou-lhe, ainda em criança, que ele tinha sido dado para adoção a uma mulher que não podia ter filhos.
Mais tarde, soube também que Susan nunca deixou de tentar encontrá-lo. Procurou-o com a ajuda do Exército de Salvação, mas nunca conseguiu chegar até ele. "Perguntei-lhe se podíamos ir buscá-lo de volta", disse Andrea. "Ela explicou-me que as coisas não funcionavam assim, por isso prometi-lhe que um dia o encontraria e consegui cumprir essa promessa", acrescentou.
"Foi como ganhar a lotaria"
Para Dave, aquele reencontro mudou completamente a sua vida. "Passei de uma fase em que havia muito pouca positividade na minha vida para descobrir que a minha melhor amiga era, afinal, a minha irmã. Encontrei a minha mãe biológica e pude finalmente fazê-la verdadeiramente feliz. E descobri uma família cuja existência eu nem sequer imaginava", confidenciou.
A mãe dos dois faleceu entretanto, mas ambos dizem sentir-se gratos por ela ter conseguido reencontrar o filho antes de morrer. "Ela estava desesperada por te encontrar para ter a certeza de que tinhas tido uma vida boa", disse Andrea.
Hoje, os dois irmãos vivem juntos em Kidsgrove, em Staffordshire, e aproveitam cada momento que a vida lhes deu a oportunidade de recuperar. Quando lhes perguntam o que significou este reencontro, a resposta é simples: foi, dizem, "como ganhar a lotaria".