O reembolso de IRS já começou a chegar à conta de muitos contribuintes. Para várias famílias, este valor representa uma folga importante no orçamento numa altura em que as despesas continuam elevadas. Mas antes de usar o dinheiro em compras adiáveis ou gastos por impulso, pode valer a pena dar-lhe outro destino. Aplicar o reembolso de IRS num fundo de emergência pode ser uma das decisões mais inteligentes para reforçar a sua segurança financeira.
Transforme um valor pontual numa proteção financeira
O reembolso de IRS não deve ser visto como um “bónus”. Na prática, trata-se de um acerto entre o imposto pago ao longo do ano e o valor efetivamente devido ao Estado. Por isso, este dinheiro pode ganhar uma função mais útil do que desaparecer em despesas rápidas.
Ao direcionar parte deste montante para um fundo de emergência, cria uma almofada financeira para responder a situações inesperadas sem recorrer a crédito. Uma despesa médica, uma avaria do carro ou uma quebra de rendimentos podem ter um impacto elevado quando não existe qualquer reserva disponível.
Além disso, evita depender de cartões de crédito, descobertos bancários ou financiamentos de curto prazo, que tendem a aumentar a pressão financeira com juros e prestações adicionais.
Quanto dinheiro deve ter no fundo de emergência?
Não existe um valor igual para todas as famílias. A regra mais usada aponta para uma reserva capaz de suportar entre três e seis meses de despesas essenciais.
Por exemplo, uma família com despesas essenciais mensais de 1.200 euros deve tentar juntar entre 3.600 e 7.200 euros para garantir uma proteção financeira mínima em caso de imprevisto.
Se trabalha por conta própria, tem rendimentos variáveis ou depende apenas de um salário no agregado familiar, pode fazer sentido criar uma proteção ainda maior. Nestes casos, o ideal pode passar por ter entre seis e 12 meses de despesas asseguradas.
Imagine um trabalhador independente com encargos mensais de 1.500 euros. Para ter uma margem de segurança mais confortável, poderá precisar de um fundo entre 9.000 e 18.000 euros.
Para perceber quanto precisa de juntar, deve somar apenas as despesas essenciais, como:
- Prestação da casa ou renda;
- Alimentação;
- Água, luz e gás;
- Transportes;
- Seguros;
- Saúde;
- Créditos em curso;
- Telecomunicações.
Ficam de fora gastos não prioritários, como férias, lazer, compras por impulso ou subscrições que podem ser canceladas em caso de necessidade.
Não precisa de guardar o reembolso inteiro
Criar um fundo de emergência não significa abdicar totalmente do reembolso de IRS. O mais importante é definir uma estratégia antes de gastar o dinheiro.
Pode, por exemplo:
- Guardar metade do reembolso;
- Usar uma parte para pagar despesas pendentes;
- Reservar uma pequena percentagem para um objetivo pessoal.
Imagine que recebe 1.200 euros. Mesmo que apenas consiga colocar 600 euros de lado, já estará a dar um primeiro passo importante para criar uma rede de segurança financeira.