Ter rendimentos com as categorias A e B não é, por si só, um problema. O risco está nos detalhes. Pequenos erros na declaração podem traduzir-se em divergências, atrasos no reembolso ou imposto a pagar inesperado.
Na prática, quem acumula salário e recibos verdes tem mais pontos de validação do que a maioria dos contribuintes. E é precisamente aí que surgem os erros mais frequentes.
1. Confiar no pré-preenchimento sem validar os valores
O facto de a declaração surgir pré-preenchida não significa que esteja correta. No caso de quem tem rendimentos com as categorias A e B, é comum existirem diferenças entre os valores comunicados e a realidade.
Por exemplo, pode acontecer um recibo verde emitido no final do ano não estar refletido ou uma retenção na fonte não ter sido corretamente registada. Se validar a declaração sem conferir estes dados, o erro passa diretamente para o apuramento final do imposto.
2. Declarar os recibos verdes de forma incorreta
Na atividade independente, não basta indicar o valor total recebido. É necessário colocá-lo no campo correto, consoante o tipo de prestação de serviços. Esta distinção influencia o coeficiente aplicado e, por consequência, o imposto a pagar.
Um erro comum é declarar todos os rendimentos como prestações de serviços previstas na tabela do artigo 151.º, quando parte pode não estar incluída. Outro exemplo frequente é não testar a opção de tributação pelas regras da categoria A quando existe apenas uma entidade pagadora, o que pode levar a pagar mais imposto do que o necessário.
3. Assumir que a retenção na fonte é o imposto final
Muitos contribuintes olham para o valor retido ao longo do ano e assumem que esse é o imposto devido. No entanto, a retenção é apenas um adiantamento.
Por exemplo, pode ter uma retenção elevada no salário e nenhuma nos recibos verdes. Nesse caso, o reembolso pode parecer alto, mas isso não significa que pagou menos imposto. Da mesma forma, retenções baixas podem resultar num valor a pagar no final, mesmo que os rendimentos não sejam elevados.
4. Simular diferentes cenários faz a diferença no resultado final
Entregar a declaração sem simular é um dos erros mais comuns e mais caros. No IRS com as categorias A e B, há várias decisões que influenciam diretamente o resultado final.
Por exemplo, um casal com rendimentos mistos pode pagar menos imposto em tributação conjunta do que separada. Ou um trabalhador independente pode beneficiar mais ao aplicar o IRS Jovem a todos os rendimentos do que apenas ao salário. Sem simulação, estas diferenças passam despercebidas.