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Porque aguento mais de seis horas numa fila para me despedir da rainha Isabel II? Cinco histórias de quem lá está

Arved e Megan. Chi e a irmã Joyce e o cunhado Steve. Jackie, o marido e os flhos. Emma e os colegas bombeiros. Catherine. Todos têm uma boa razão para passar horas de pé para se despedir de Isabel II. A rainha de Inglaterra morreu há uma semana

Lina Santos
15 set, 17:33
Fonte: enviada especial a Londres
15 set, 17:33
Pessoas aguardam horas na fila para prestar homenagem à rainha Isabel II
Pessoas aguardam horas na fila para prestar homenagem à rainha Isabel II

Numa manhã em que os termómetros marcavam 15 graus e os agasalhos eram obrigatórios, é longuíssima a fila para prestar a última homenagem à rainha em Westminster Hall, coração de Londres, é, como as autoridades locais anteviram e avisaram. Quem são os que esperam e o que os traz aqui? A CNN Portugal conta as histórias de alguns dos milhares que esperam de pé numa fila sempre em movimento para se despedirem da rainha Isabel II. Hoje, às 09:00, eram 12 quilómetros em ziguegague.

Arved e Megan, amigos, Londres e Newscastle

“Acho que em parte estou aqui pela minha mãe que era obcecada pela rainha e que teria adorado estar aqui. Era obcecada mesmo, ao ponto de ter chamado Diana à minha irmã. Estou aqui porque acho que é uma coisa que se tem mesmo de fazer. Não sei se me vou emocionar quando chegar a Westminster Hall. Tudo está feito para isso, mas não sei, vou com a onda. Tudo será diferente daqui para a frente, o novo rei terá de encontrar um novo sentido para o Reino Unido não existindo o mesmo peso da religião ou da II Guerra Mundial. Terá muito que fazer… além da questão de Harry e Meghan e do André, que já não será protegido pela rainha. Sou austríaco, estudei em Newcastle, vivo aqui há sete anos, estou em Londres há dois. Se tens menos de 30 anos e uma licenciatura acabas, Londres acaba por ter engolir", conta à CNN Portugal Arved Kirschbaum.

“Trouxe um livro para ler enquanto espero, é lazer, mas também trabalho, já que sou bibliotecário na King’s College, e acho que isto vai correr bem: temos bebidas, comida, livro e um ao outro - vai correr bem. No fundo, isto parece a fila para a vacinação da covid. Parece que essa fila foi uma preparação para esta, ou então são mesmo muito bons a fazer filas no Reino Unido”.  

Megan Ringland: “Sou Megan sem h, não como a duquesa de Sussex, vivo em Newscastle, fiz 90 minutos de comboio, cheguei ontem, mas sou da Irlanda do Norte e a rainha está muito presente ou não fossem os meus pais fortes unionistas. Ninguém é mais patriótico do que os unionistas. Além disso, gostam da família real. Paravam para os casamentos reais, a minha mãe manda-me artigos. Foi assim que descobri que um guarda da urna da rainha tinha desmaiado. Nem tenho de ver notícias, sei por ela e ela está muito contente por eu estar aqui, no fundo é como se estivesse. Os meus pais não vêm, estão a 277 milhas [445 quilómetros] e, possivelmente, na Irlanda do Norte vemos mais bandeiras da Union Flag do que aqui."

Emma e os colegas, bombeiros, West Midlands

“Estamos aqui desde as 08:40 a representar a nossa corporação de bombeiros, de West Midlands. Somos cinco, três bombeiros e duas pessoas nos ajudam a pôr tudo a funcionar. Fomos escolhidos pela instituição para estar aqui. É uma recompensa. Não é um dia de folga, mas é um privilégio e uma grande honra estar aqui e poder prestar à rainha. Ela visitava com frequência West Midlands e o agora rei Carlos esteve lá quando abriram os jogos da Commonwealth em Birmingham. Estive com ele nessa altura quando acompanhava a equipa dos Camarões. Ele foi adorável e adorou a roupa colorida da equipa dos Camarões.”

Jackie, Philip e Ian, pais e filho, de Worcestershire

“Sentimo-nos ligados à rainha porque os nossos pais, apesar de não estarem cá, eram da mesma idade e os pais do meu marido casaram-se no mesmo ano que a rainha e príncipe Philip. Fizémos quatro horas de viagem, 160 quilómetros, desde Worcestshire, a nossa filha vem no sábado. É um momento histórico e tínhamos de vir, já que é a única monarca que conhecemos. São 09.00, chegámos agora à fila, fomos à casa de banho, temos comida e se não bebermos muito mais aguentamos até lá. estamos preparados para esperar e no final do dia regressamos a casa.”

Steve e Joyce, casados, e Chi, irmão de Joyce, Hong Kong 

“Somos de Hong Kong e temos tantas memórias da rainha, este último tributo era-lhe devido. Ela é a cultura britânica e a Inglaterra principalmente. Víamos a rainha na televisão todas as noites, cantamos o hino. Estamos à espera há duas horas e meia e está a ser muito mais rápido do que pensava."

Catherine Billington, Londres

“A rainha foi parte da minha vida, não vai estar aqui nunca mais e representou o país da melhor maneira possível. Não podia não vir. Vivo em Londres. Greenwich. Estava sozinha mas entretanto conheci pessoas na fila. Estou aqui há quase três horas e dizem-me que vai demorar mais três. Soube da morte da rainha no telefone, sabíamos que estava frágil e que a família foi ter com ela Balmoral, mas não pensei que fosse acontecer naquele momento. Os médicos vão estar sempre a monitorizar uma pessoa com essa idade, não é? Fiquei chocada. E agora quê? Sabemos que o país vai continuar, o que não sabemos é como vai ser sem ela, porque esteve sempre lá. Sei que seguiremos em frente, porque as pessoas continuam sempre, temos um novo rei e ele fará o melhor que puder, certamente. Claro que o país vai mudar muito porque ele é uma pessoa diferente, já se percebeu que é menos calmo do que a mãe, mas, apesar de ter 73 anos, faz parte de um mundo moderno enquanto a rainha era dos anos 50. Quando o luto passar, haverá com certeza debate sobre a Irlanda do Norte e sobre a Commmonwealth.”

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