Aos 17 anos, vendia roupa para pagar a faculdade. Hoje tem um império milionário com IA e ajuda pessoas a terem sucesso
Aos 17 anos, Letícia Vaz vendia roupa para pagar a faculdade. Hoje lidera nove negócios e lançou uma empresa de tecnologia focada em inteligência artificial
Aos 17 anos, pediu 500 reais (cerca de 84 euros) emprestados ao pai e começou a vender roupa entre colegas da faculdade. Mais de uma década depois, Letícia Vaz lidera uma holding com vários negócios e lançou uma empresa de tecnologia focada em inteligência artificial.
A jovem brasileira transformou aquela pequena operação de venda de roupa numa estrutura empresarial que junta moda, educação, marketing e tecnologia. E a mais recente aposta passa precisamente por uma das áreas que mais estão a transformar os negócios: a inteligência artificial.
A própria Letícia descreve atualmente o seu percurso nas redes sociais como a construção de nove empresas, além de cursos, mentorias e outros projetos ligados ao empreendedorismo.
Tudo começou com vendas de roupa para pagar a faculdade
O objetivo inicial era simples: vender roupa para pagar os estudos e conseguir manter-se na capital do Brasil, uma vez que, segundo revela a Exame, a família, que vivia em Bragança Paulista, já não tinha condições para suportar os custos da faculdade, alimentação e habitação.
Começou por vender as peças dentro da faculdade e, depois, recorreu a grupos de Facebook de outras universidades para encontrar clientes.
Mas a grande mudança chegou no ano seguinte. Letícia reparou que os cropped tops estavam a ganhar popularidade no exterior, mas que o produto ainda não tinha a mesma oferta no Brasil. Decidiu então produzir a própria versão, recorrendo ao equipamento da mãe, que trabalhava com costura.
Testou uma das peças numa festa universitária e a reação foi imediata: os pedidos começaram a aparecer e foi assim que a revenda de roupa começou a transformar-se naquilo que viria a ser a LV Store.
A faculdade ficou para trás
O negócio cresceu tão rapidamente que Letícia acabou por tomar uma decisão difícil: abandonou o curso de Jornalismo aos 19 anos para se dedicar à empresa.
Numa publicação recente, a empresária recordou esse momento e explicou que não foi uma decisão planeada como estratégia de negócio. Segundo a própria, a família deixou de conseguir suportar os custos da faculdade e foi a necessidade que a levou a procurar uma alternativa.
A aposta acabou por resultar. A LV Store passou da revenda à produção própria e, atualmente, a empresa tem uma fábrica em Bragança Paulista. Segundo a Exame, a operação conta com cerca de 55 funcionários, cerca de 2.500 encomendas mensais e um valor médio por encomenda de 400 reais (67 euros). A taxa de recompra é de 45%.
A marca é, atualmente, a principal fonte de receita da estrutura empresarial de Letícia, que também é um sucesso nas redes sociais, onde conta com quase 700 mil seguidores.
Depois da moda, vieram os cursos e as mentorias
A empresária percebeu entretanto que aquilo que estava a construir podia ser transformado em conhecimento para outros empreendedores.
Em 2020, começou a expandir a atividade para as áreas da educação e tecnologia, primeiro através de cursos e mentorias relacionados com comércio eletrónico e marketing digital.
Foi também nesta fase que nasceu a ModaLab, uma plataforma dedicada a cursos para o comércio eletrónico de moda.
A própria Letícia conta que, durante a pandemia, lançou um curso sobre estratégias de vendas online que ultrapassou R$1 milhão de faturação num único mês. O sucesso ajudou a consolidar a área de educação dentro da holding.
Hoje, além dos negócios, Letícia mantém uma forte presença digital, com conteúdos dedicados a empreendedorismo, marketing, vendas, estratégia e moda, e comercializa cursos, mentorias e produtos digitais. No seu site, apresenta-se como CEO, estilista, influenciadora e palestrante e afirma ter criado nove empresas ao longo dos últimos 11 anos.
Agora, a aposta é na inteligência artificial
É aqui que a história ganha um novo capítulo. Em 2026, Letícia lançou a Letícia Vaz Tech, uma empresa de martech dedicada a inteligência artificial, automação e integração de dados.
A ideia, cita a Exame, nasceu de um problema que começou a identificar nas empresas acompanhadas através das suas mentorias: muitos pequenos e médios negócios utilizavam várias ferramentas diferentes para vendas, gestão e finanças, mas tinham dificuldade em fazer esses sistemas comunicar entre si.
A nova empresa pretende precisamente criar soluções para esse tipo de problema. Um dos primeiros produtos é o LinkCommerce, uma plataforma que transforma o tradicional “link na bio” numa experiência mais personalizada.
Em vez de apresentar apenas uma lista de links, o sistema utiliza IA para perceber o que o utilizador procura e recomendar produtos, serviços ou conteúdos. A plataforma também integra funcionalidades como agenda e pagamentos.
Na própria LV Store, a tecnologia já começou a ser utilizada para analisar dados como histórico de compras, comportamento de navegação, meteorologia e dia da semana, com o objetivo de recomendar combinações de roupa aos clientes. Segundo Letícia, essa estratégia aumentou em cerca de 25% a taxa de conversão daquela ação específica.
De 500 reais para uma projeção de 30 milhões
A dimensão da transformação fica mais evidente quando se olha para os números. Segundo a Exame, a LV Holding fatura atualmente cerca de 20 milhões por ano (cerca de 33 milhões de euros). A projeção para 2026 é chegar aos 30 milhões (aproxidadamente 50 milhões de euros), com o crescimento dos produtos digitais, das mentorias e da nova área de tecnologia.
No entanto, é importante sublinhar: os 30 milhões de reais são uma projeção para o conjunto da holding e não significa que a empresa de IA já tenha atingido esse valor em receitas.
Ainda assim, a mudança de escala é evidente. A jovem que começou por vender roupa para conseguir continuar a estudar acabou por construir um ecossistema empresarial que, segundo a própria, já soma nove negócios.
E agora está a tentar fazer com a tecnologia aquilo que fez inicialmente com a moda: detetar uma necessidade, testar uma solução e transformá-la num negócio.
Veja agora, na galeria que preparámos para si, as fotografias de Letícia Vaz