Cuidado com as transferências bancárias de MB WAY
Cuidado com as transferências bancárias de MB WAY

Cuidado com o que escreve nas transferências por MB Way. Pode acabar com as contas bloqueadas

Mafalda Mourão
28 jul., 11:02
Mais 3 sugestões

Os bancos monitorizam as transferências para cumprir as regras de combate ao branqueamento de capitais. Descubra porque deve ter cuidado com o que escreve no MB Way

O campo de descrição de uma transferência MB Way costuma servir apenas para identificar o motivo do pagamento. No entanto, há quem aproveite esse espaço para fazer piadas entre amigos ou escrever mensagens mais irreverentes. O problema é que algumas dessas expressões podem despertar a atenção dos sistemas de monitorização utilizados pelos bancos.

O alerta foi partilhado recentemente pela página portuguesa de Instagram 4gnewspt, dedicada a dicas sobre tecnologia e que conta com quase 40 mil seguidores. A publicação recorda que as instituições financeiras estão legalmente obrigadas a monitorizar as transações para prevenir crimes como o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo.

O que acontece quando faz uma transferência?

As entidades bancárias recorrem a sistemas de prevenção de branqueamento de capitais (Anti-Money Laundering – AML), que analisam diferentes elementos das operações, incluindo, em determinadas circunstâncias, a informação inserida no campo da descrição.

Segundo a publicação, expressões relacionadas com atividades criminosas, armas, drogas, terrorismo ou outras matérias consideradas sensíveis podem levar uma operação a ser sinalizada para análise adicional. Estes mecanismos são automáticos e nem sempre conseguem interpretar o contexto ou perceber que se trata de uma simples brincadeira.

A transferência pode ficar suspensa

Quando uma operação é considerada potencialmente suspeita, o banco pode suspender temporariamente a transferência enquanto procede às verificações necessárias.

Nalguns casos, a instituição financeira poderá contactar o cliente para solicitar esclarecimentos sobre a origem e o destino dos fundos ou sobre o motivo da operação. Dependendo da avaliação efetuada e da informação disponível, poderão ainda ser adotadas medidas adicionais, sempre de acordo com os procedimentos internos e com a legislação em vigor.

Se persistirem suspeitas de branqueamento de capitais ou financiamento do terrorismo, os bancos têm o dever legal de comunicar as situações às autoridades competentes.

 Porque é que os bancos fazem este controlo?

Esta monitorização resulta de obrigações legais impostas às instituições financeiras. Em Portugal, a Lei n.º 83/2017 estabelece medidas de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, impondo aos bancos o dever de analisar operações suspeitas e, quando necessário, abster-se de as executar até existirem esclarecimentos suficientes.

Também o Regulamento (UE) 2015/847 determina que os prestadores de serviços de pagamento implementem mecanismos eficazes de controlo das informações que acompanham as transferências de fundos.

Além disso, o Banco de Portugal obriga as instituições financeiras a manter sistemas de monitorização capazes de identificar operações potencialmente anómalas.

Como evitar situações desnecessárias

A recomendação é simples: utilize o campo de descrição apenas para identificar o verdadeiro motivo da transferência.

Descrições como "almoço", "jantar", "prenda de aniversário" ou "divisão de despesas" são suficientes para identificar o pagamento. Já mensagens em tom de brincadeira que façam referência a atividades ilegais poderão, em determinadas circunstâncias, originar verificações adicionais.

Embora isso não signifique automaticamente que a conta será bloqueada ou encerrada, escrever descrições claras e objetivas pode evitar atrasos e contactos desnecessários por parte da instituição financeira.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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