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Uso prolongado de paracetamol pode aumentar risco de ataque cardíaco e AVC, diz estudo

Investigadores defendem que doentes com dor crónica não devem tomar doses elevadas de paracetamol para controlar a dor, sob pena de desenvolverem problemas cardiovasculares

Bárbara Cruz
8 fev, 09:42
8 fev, 09:42
Comprimidos
Comprimidos

Um estudo da Universidade de Edimburgo, na Escócia, concluiu que os doentes que tomam paracetamol por longos períodos podem ter risco acrescido de sofrerem ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais (AVC). Segundo a pesquisa, citada pela BBC e publicada na revista científica Circulation, ficou demonstrado num grupo de 110 voluntários que o uso prolongado de paracetamol fez subir a pressão arterial dos participantes, "um dos mais importantes fatores de risco para ataques cardíacos e AVC", referiu James Dear, especialista em farmacologia clínica. 

O paracetamol é usado em todo o mundo como analgésico e antipirético, seja para problemas de curto prazo, como febre e dores de cabeça, seja para casos de dor crónica, ainda que existam poucas evidências científicas dos benefícios do seu uso de forma continuada.

Dos 110 voluntários que participaram neste estudo escocês, dois terços tomavam medicação para problemas relacionados com tensão alta ou hipertensão. Foi-lhes pedido que tomassem um grama de paracetamol quatro vezes por dia durante duas semanas, uma dose que é comum em doentes com dor crónica, e que nas duas semanas seguintes, em vez de parecetamol, tomassem um placebo. Os ensaios clínicos demonstraram que o paracetamol fez subir a pressão arterial dos participantes, levando os especialistas a aconselhar que as pessoas que sofram com dor crónica mantenham as doses de paracetamol no mínimo possível. 

"O estudo não é sobre o uso de curto prazo do parecetamol para dores de cabeça ou febre, que não tem, obviamente, qualquer problema", sublinhou Iain MacIntyre, consultor de farmacologia clínica do serviço de saúde britânico e autor principal da pesquisa financiada pela British Heart Foundation, uma organização sem fins lucrativos do Reino Unido dedicada à investigação e sensibilização para as doenças cardiovasculares. 

Outros investigadores defendem que o estudo deixa ainda muito por apurar: Dipender Gill, especialista em farmacologia clínica da Universidade de Londres, admite em declarações à BBC que a investigação encontrou "uma pequena mas significativa subida da pressão arterial numa população branca escocesa" mas assinala que não é claro se esta subida se manteria com o uso continuado do paracetamol e que também não é certo se esta subida da tensão levaria, efetivamente, a um risco acrescido de doença cardiovascular.

Um estudo anterior feito nos Estados Unidos, com maior número de participantes, encontrou uma ligação entre o uso a longo prazo de paracetamol e risco acrescido de ataque cardíaco, mas não conseguiu provar que um dos fatores provocasse o outro. 

A equipa da Universidade de Edimburgo, por seu lado, admite que não consegue explicar de que forma o paracetamol faz subir a pressão arterial, mas defende que as conclusões do estudo agora realizado deveriam levar a uma revisão das prescrições de paracetamol por períodos mais longos. 

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