Mercado Imobiliário
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Comprar casa em Portugal é caro? Depende muito do distrito

Doutor Finanças
14 ago., 11:13

O preço médio das casas listadas para venda é de 3.745 euros/m² em Portugal e quase 5.700 euros/m² em Lisboa, mas não chega a 2.000 em metade dos distritos.

Há distritos onde a prestação de uma casa pesa 15% do rendimento de uma família e outros onde ultrapassa os 100%. É este o retrato do mercado imobiliário português a 1 de agosto, segundo o mais recente relatório do Observatório de Imobiliário do Doutor Finanças: um país partido ao meio, onde a média nacional conta apenas parte da história.

O preço médio das casas listadas para venda era, nessa data, de 3.745 euros/m². Um valor elevado, mas que descreve mal o mercado onde a maioria dos portugueses procura casa. Em metade dos distritos, o metro quadrado custa menos de 2.000 euros.

Poucos distritos, muitas casas

A explicação está na forma como a média é calculada. Apenas cinco dos 20 territórios ficam acima dela: Lisboa (5.683 euros/m²), Faro (4.883 euros/m²), Região Autónoma da Madeira (4.497 euros/m²), Setúbal (4.004 euros/m²) e Porto (3.749 euros/m²). Só que estes cinco mercados, embora representem 25% dos distritos, concentram cerca de 70% de todas as casas anunciadas. São eles que puxam a média para cima.

No lado oposto, dez distritos, quase todos no interior, têm valores abaixo dos 2.000 euros/m². A Guarda (832 euros/m²) e Bragança (949 euros/m²) são os mais acessíveis e os únicos onde o metro quadrado não chega aos 1.000 euros.

Quando o preço cabe (ou não) no orçamento

Tão importante como o preço é saber se ele cabe no orçamento das famílias. E aqui a fronteira volta a ser clara. Nos dez distritos mais baratos, a prestação de um apartamento T2 fica sempre dentro dos 33% do rendimento de um casal, o limite habitualmente considerado saudável. Nos mais económicos, como Bragança e Portalegre, o peso desce para cerca de 15%.

No extremo oposto está um grupo onde comprar casa se tornou quase inacessível para a classe média. O caso mais crítico não é o distrito mais caro, mas sim a Madeira: ali, um apartamento T2 absorve 70% do rendimento de um casal e uma moradia T3 exige 123%, mais do que dois salários médios juntos. Seguem-se Faro (65% num T2) e Lisboa (57%).

O motivo é o desencontro entre preços e salários locais. A Madeira é apenas o terceiro distrito mais caro para comprar casa, mas torna-se o mais inacessível porque os rendimentos da região não acompanham o valor dos imóveis. Um preço por metro quadrado elevado nem sempre é o principal problema: o que trava a compra é a distância entre o que a casa custa e o que a população local ganha.

Ainda assim, é em Lisboa que o contraste com o resto do país mais salta à vista: comprar no distrito custa quase sete vezes mais do que na Guarda, para a mesma área.

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