“O meu nome era Monia Delpero. Tinha 19 anos, com uma vida inteira pela frente. Na noite de 13 de dezembro de 1989, dei um beijo de despedida à minha mãe e disse: "Volto já." Nunca regressei a casa”. Este é o início de uma história que marcou todo um país e cujo final gostaríamos que fosse diferente. Infelizmente não pode ser Monia a usar a sua voz para a contar.
A história, que aparece hoje como se fosse contada na primeira pessoa no livro de Irene Vella, “Era mia figlia”, pertence a uma jovem italiana que se tornou o símbolo de uma luta. Monia teria hoje 36 anos.
Como conta o livro, à espera de Monia estava o ex-namorado. A relação entre ambos tinha durado apenas seis meses, mas, para ele, não tinha terminado. Tinha pedido para se encontrarem, dizendo que queria de volta as fotografias que tinham tirado juntos.
O jovem, que tinha também 19 anos, estrangulou-a com as próprias mãos. Depois, colocou o corpo num saco do lixo e atirou-o para debaixo de uma ponte. O corpo foi encontrado três dias depois. Durante este tempo, o homicida participou nas buscas, fingindo chorar.
Como é relatado no texto do livro, também divulgado na rede social Quora, o assassino confessou. Foi condenado a 11 anos e oito meses de prisão, mas na realidade cumpriu pouco mais de cinco.
O mesmo livro diz que o homem, na prisão, concluiu uma licenciatura. Depois de cumprir pena, saiu casou-se e teve dois filhos.
A mãe de Monia chama-se Gigliola Bono e há 36 anos que luta para que a família seja reconhecida como vítima do Estado, sendo a jovem um dos símbolos da luta contra a violência doméstica em Itália.