O negócio de Inês faz-nos esquecer o WhatsApp. E a culpa é da sua avó
Esta é uma marca com alma que se materializa e pode ser guardada
Os nossos minutos e horas alternam-se entre notificações e mensagens no telemóvel. O meio para escrever palavras mundanas e vazias do quotidiano passou a ser aquele que usamos para mensagens sentidas e com a nossa alma lá depositada. Inês Maldonado não aceita que assim seja e foi neste vazio que criou a Papelaria Moderna.
Mas, como chegou Inês a esta ideia de negócio? “Durante anos, eu e a minha avó trocámos cartas. São dos meus maiores tesouros. Uma carta é uma conversa que não desaparece. Não fica perdida entre notificações”, explica.
Estudou design gráfico em Lisboa, publicidade no Rio de Janeiro, e em Londres ajudou a montar uma marca de estacionário de luxo. “E foi quando percebi que queria muito fazer isto”, recorda.
“Voltei a Portugal, abri o meu atelier de design, tive dois filhos, viajei muito (e visitei dezenas de papelarias). Passaram muitos anos. Em setembro vi mais uma papelaria antiga a fechar portas, e percebi que não podia adiar mais.
Não por ambição. Por amor e um sentido de urgência”, diz.
E foi assim que a Papelaria Moderna abriu online em dezembro passado “Para que haja sempre papel bonito para quem tem uma história”.
O que podemos encontrar na Papelaria Moderna?
Diz-se moderna, mas vive à antiga. Remete-nos para as escrivaninhas dos nossos avós, com blocos, cadernos e canetas bonitas. Para as cartas que se guardavam em caixas estampadas, para os bilhetes em papéis decorados e até perfumados.
Na papelaria que cumpre o sonho de Inês, “encontramos cartões e papel de carta, para quem gosta de oferecer uma palavra, agradecer ou celebrar com letra bonita.
Cadernos, para quem acredita na promessa silenciosa de uma folha em branco.
Objetos simples, que servem para dizer tudo aquilo que um emoji nunca vai conseguir explicar”.
A produção é local e tem o cuidado que os pequenos objetos preciosos e bonitos exigem. “Trabalhamos com artesãos especialistas, muitos deles negócios familiares, pequenas oficinas que continuam a produzir preservando técnicas tradicionais: tipografia (letterpress), encadernação manual e gravura”, podemos ler no site da Papelaria Moderna. Aqui encontra-se sensibilidade pelo detalhe, pela beleza e pela durabilidade.
A marca garante que os seus produtos só usam papéis com certificação FSC, ou seja, provenientes de florestas geridas de forma responsável, que protegem a biodiversidade e respeitam quem nelas trabalha.