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PHDA: estudo revela ligação entre a falta destas vitaminas e sintomas de hiperatividade

IOL
17 jun., 10:39
Fonte: Agência Lusa
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Em que alimentos podem ser encontrados estes nutrientes?

Investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) desenvolveram um estudo, a que a Lusa teve hoje acesso, que associou a falta de vitamina C e A a sintomas de hiperatividade e défice de atenção.

O que concluiu a investigação sobre a alimentação das crianças com PHDA?

“Uma menor ingestão de nutrientes com propriedades antioxidantes e de gorduras saudáveis pode estar associada a sintomas comportamentais em crianças com Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA)”, conclui o estudo publicado em março na revista científica European Child & Adolescent Psychiatry, da Springer Nature Group.

Quem participou neste estudo?

A equipa de investigadores, coordenada por Joana Ferreira Gomes, da FMUP, acompanhou 76 crianças, entre os 6 e os 10 anos, com diagnóstico de PHDA, previamente recrutadas no âmbito do projeto M2CHILD.

Qual era um dos principais objetivos da investigação?

Um dos objetivos do estudo foi identificar padrões alimentares e analisar a potencial relação entre determinados nutrientes e os sintomas associados à perturbação.

Como foi avaliada a ingestão de nutrientes?

A ingestão destes nutrientes foi avaliada através de um registo alimentar de três dias, preenchido pelos pais, e analisada com um programa especializado que estima a composição dos alimentos, incluindo vitaminas e minerais, com base em tabelas alimentares.

Que diferenças alimentares foram encontradas nas crianças com PHDA?

Os resultados indicam que as crianças com PHDA tinham um consumo significativamente menor de gorduras saudáveis – monoinsaturadas e polinsaturadas – e de vitamina C.

Que outros nutrientes também foram associados a sintomas da perturbação?

Em análises adicionais, a vitamina A e o selénio surgiram também associados a alguns sintomas, “embora estes resultados devam ser interpretados com prudência”, considera a coordenadora da investigação.

Que impacto pode ter um menor consumo de vitamina A?

“No nosso estudo, quantidades mais baixas de nutrientes específicos estiveram associadas a determinados sintomas. Verificámos, por exemplo, que um menor consumo de vitamina A se relacionava, de forma consistente, com maior desatenção, hiperatividade, impulsividade e problemas sociais”, explica Joana Ferreira Gomes.

Que sintomas foram associados a níveis reduzidos de vitamina C e selénio?

Segundo o estudo, níveis reduzidos de vitamina C estiveram associados a maior hiperatividade e impulsividade, enquanto níveis mais baixos de selénio relacionaram-se com mais queixas somáticas, dificuldades de pensamento, problemas sociais e comportamentos agressivos ou de oposição às regras.

Em que alimentos podem ser encontrados estes nutrientes?

Estes nutrientes são habitualmente obtidos no contexto de uma alimentação saudável e variada, através de alimentos como:

  • Frutas e vegetais
  • Peixes gordos
  • Ovos
  • Oleaginosas e sementes

Os resultados estão de acordo com outros estudos?

De acordo com a professora e investigadora da FMUP, estes resultados estão em linha com estudos internacionais.

É possível concluir que a alimentação causa a PHDA?

“As nossas descobertas sugerem que as crianças com PHDA apresentam diferenças em alguns padrões nutricionais. Não é possível estabelecer uma relação de causa-efeito, mas essas diferenças podem ser uma consequência dos desafios comportamentais e de atenção característicos desta perturbação”, explica.

Que implicações clínicas podem ter estas conclusões?

Numa perspetiva clínica, Joana Ferreira Gomes alerta que “estes resultados não significam, por si só, que alterações alimentares produzam efeitos imediatos ou expressivos nos sintomas a nível individual, mas podem ajudar a orientar futuras investigações e contribuir para o desenvolvimento de estratégias nutricionais dirigidas, integradas numa abordagem multidisciplinar mais ampla da PHDA na infância”.

São necessários mais estudos sobre este tema?

Serão necessários mais estudos que explorem outros fatores potencialmente envolvidos nesta perturbação, incluindo questões socioeconómicas e culturais.

O que é a PHDA?

A PHDA é uma das perturbações do neurodesenvolvimento mais prevalentes na infância. Caracteriza-se por níveis inadequados de desatenção, impulsividade e hiperatividade, entre outras alterações, que afetam o dia a dia e a qualidade de vida das crianças e das suas famílias, envolvendo custos de saúde e sociais substanciais.

Quais são as causas desta perturbação?

Trata-se, segundo os investigadores, de uma condição complexa, que resulta da interação entre fatores genéticos e ambientais, entre os quais a nutrição surge como um fator modificável potencialmente relevante.

Porque é que este estudo é considerado pioneiro?

Este estudo, pioneiro em Portugal na análise da relação entre padrões nutricionais e sintomas associados à PHDA em crianças, contou com a participação de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde e da ULS São João.

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