Uma viagem de 2 euros em Portugal que vale mais do que muitos destinos de luxo
Contamos como foi visitar uma das praias mais tranquilas e paradisíacas do Algarve
Passavam poucos minutos depois das 10h da manhã quando estacionámos num dos muitos lugares disponíveis na típica vila algarvia de Santa Luzia. Estamos no concelho de Tavira e sabemos que entre nós e o paraíso está uma ria por atravessar. E, em pleno verão, não são poucos os que o fazem, mas são muitos menos do que pode imaginar quem não conhece os segredos do sotavento algarvio.
Os ferry vão e vêm com uma cadência tão frequente quanto as férias exigem na Ria Formosa. Por isso, sempre que chegam deixam o pontão vazio de pessoas à espera. E a magia começa aqui. A embarcação quadrada, cujos responsáveis se afiguram personalidades que arrancam sorrisos a portugueses e estrangeiros, leva-nos em poucos minutos até ao outro lado da ria. E a paisagem, os cheiros, a brisa quente começam a encantar os passageiros. Por mais vezes que lá vão.
Chegados ao lado de lá da ria, descemos numa passadeira de madeira que nos levará à praia da Terra Estreita. Ao lado do ferry, chegam escassas e pequenas embarcações particulares, com casais ou pais e filhos que atravessam pelos próprios meios – perante o fascínio dos turistas no ferry – a ria até à praia.
Percorrido o passadiço sobre as dunas (não as pise, lembram as autoridades em vários sinais), somos invadidos pelos odores inconfundíveis da vegetação do sotavento. Aqui e ali as dunas são pontuadas por delicados narcisos-das-areias e a maciez da areia é interrompida por cardos-marítimos com espinhos. Deixemo-nos observar com calma todas as plantas e aves que por ali surgem.
Mas o melhor está para chegar: mar cristalino, areal perfeito a perder de vista (sim, porque de estreita pouco tem esta praia). O nome é-lhe atribuído por ser a zona mais estreita da Ilha de Tavira, mas a praia é extensa e pouco confusa. Nos melhores anos, a água – que aqui está na maioria das vezes calma como uma piscina oceânica – chega aos 25 graus.