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Este é o ‘nosso’ Algarve: sem multidões, com águas cálidas e bandeira verde

Aqui não há dramas para estender a toalha e as águas tranquilas e cristalinas estão quase sempre asseguradas

Andreia Vital
9 jul, 10:22

Num Algarve mais empurrado para Espanha, na região a caminho de Vila Real de Santo António a que chamamos sotavento algarvio, existe uma alma portuguesa das férias dos anos 80 e 90 que nunca dali saiu. Não existem hotéis em cada esquina, os restaurantes célebres de há décadas mantêm-se por lá e são poucas as praias a partir das quais se consegue sequer ver um edifício.

E esta praia de que vos falamos é disso exemplo e uma das nossas preferidas. Natureza em estado puro, é uma das muitas praias das ilhas-barreira da Ria Formosa. Em plena Ilha de Tavira, ganhou o nome de Praia da Terra Estreita, por ficar na ‘fatia’ de areia mais reduzida da ilha. Mas não se deixe enganar pelo nome. O areal desta praia é de uma extensão imensa, a perder de vista, e aqui há espaço para todos.

A areia é branca e fina, rodeada por dunas protegidas com uma diversidade de fauna e flora incríveis, características de uma reserva natural. Não deixe de observar os narcisos-das-areias (flores delicadas brancas que decoram a areia), as diversas aves ou as centenas de caranguejos que entram e saem dos seus buracos durante a maré vazia. .

A água do mar, cristalina e com tons singulares de azul e verde combinados, tem uma temperatura média de 22 graus até outubro (com sorte, em pleno verão pode chegar aos 24 ou 25 graus!) e quase sempre bandeira verde (se apanhar dia de levante em que o mar está revolto, conte com dois a três dias antes de voltar à calma habitual).

E como chegamos a este pequeno paraíso?

A curta viagem de barco de carreira para chegar a esta praia é em si mesma uma experiência que não pode perder. Além disso, é bastante económica. Para apanhar o barco, tem de deslocar-se à pequena localidade de Santa Luzia, perto de Tavira. Não ignore esta vila. Capital do polvo e terra de pescadores, tem vários restaurantes e cafés que merecem uma visita, perfeitos para petiscos ou jantar no regresso da praia. Deixe-se ficar ao final do dia para o pôr-do-sol sobre a ria e sobre as traineiras que ali repousam. 

Chegados à pequena vila, é fácil identificar o pequeno pontão de onde partem os barcos que atravessam a Ria Formosa para o areal da praia. Atenção: as bilheteiras dos barcos não aceitam qualquer método de pagamento eletrónico, o que nos traz sempre alguns dissabores. Por isso, previna-se e leve dinheiro vivo na carteira. Em julho e agosto há partidas a cada 20 minutos entre as 8h30 da manhã e as 20h10. Os bilhetes dos barcos de carreira são bastante acessíveis: vai pagar 2.40 euros por uma viagem ida e volta, sendo que as crianças entre os 5 e os 11 anos pagam 1.80 euros e para as mais pequenas a viagem é gratuita.

A travessia é muito rápida (cerca de 15 minutos) e bonita. Há até quem mergulhe ainda nas águas da ria antes de chegar à praia de mar. Note-se que não é por ter um areal de perder de vista e por só vermos mar à frente e dunas atrás que esta é uma praia totalmente isolada. Aqui, há apoio com bar (as bolas de Berlim são vendidas pelo areal como manda a tradição), palhotas com espreguiçadeiras para alugar, casas de banho e posto de socorro. Claro que, para quem prefere um pouco mais de isolamento, basta caminhar uns metros no areal. A praia é vigiada e tem bandeira azul. Como o mar é muito tranquilo, é comum praticarem-se atividades como stand-up paddle ou pode simplesmente levar uma boia e deixar-se estar.

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