Afinal, o protetor solar impede ou não a absorção de vitamina D?
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Especialistas da Escola Superior de Saúde Atlântica esclarecem
Os dias quentes e longos de verão já chegaram e, com eles, aumenta também o risco de exposição solar. Apesar de existir uma maior consciencialização para a importância da fotoproteção, continuam a existir muitas dúvidas e mitos em torno dos protetores solares.
Especialistas da Escola Superior de Saúde Atlântica (ESSATLA) esclarecem algumas das questões mais frequentes e deixam recomendações para uma utilização mais segura e eficaz.
O protetor solar impede a produção de vitamina D?
Não.
Este é um dos mitos mais comuns relacionados com a proteção solar. A vitamina D é essencial para a absorção de fósforo e cálcio nos ossos, mas os estudos realizados ao longo dos anos mostram que os protetores solares, quando utilizados corretamente, não provocam défices clínicos significativos de vitamina D na população em geral.
O protetor solar só é necessário nos dias de praia?
Também não.
Segundo Luís Miguel Farias, coordenador da Licenciatura em Farmácia na ESSATLA, muitas pessoas continuam a associar a utilização de protetor solar apenas aos dias de praia ou aos períodos de férias.
No entanto, a recomendação é outra:
- A proteção solar deve fazer parte da rotina diária.
- Deve ser utilizado um protetor de largo espectro, com proteção UVA e UVB.
- O fator de proteção solar deve ser igual ou superior a SPF 30.
Em dias nublados podemos dispensar o protetor?
Não.
Embora muitas pessoas pensem o contrário, a radiação UVA consegue atravessar as nuvens e até o vidro das janelas. Esta radiação contribui para:
- • O fotoenvelhecimento da pele.
- • O aumento do risco de cancro cutâneo.
Filtros orgânicos e inorgânicos: qual é a diferença?
Existe a ideia de que os filtros inorgânicos, também conhecidos como filtros físicos, são sempre mais eficazes e mais seguros do que os filtros orgânicos. Mas isso não corresponde à realidade.
Segundo os especialistas, tanto os filtros orgânicos como os inorgânicos autorizados na União Europeia são considerados eficazes e seguros.
Como funcionam os filtros orgânicos?
Alguns exemplos são:
- Avobenzona.
- Octocrileno.
Estes filtros atuam sobretudo através da absorção da radiação ultravioleta, convertendo-a em formas de energia menos nocivas, como o calor.
Como funcionam os filtros inorgânicos?
Entre os exemplos mais conhecidos estão:
- Óxido de zinco.
- Dióxido de titânio.
Estes ingredientes atuam através de uma combinação de:
- Absorção.
- Dispersão.
- Reflexão da radiação UV
Os estudos mais recentes mostram ainda que a ideia de que estes filtros apenas "refletem" a luz é cientificamente incorreta, sobretudo nas formulações modernas com partículas micronizadas ou nanoparticuladas.
Os filtros orgânicos são tóxicos ou podem provocar cancro?
As evidências científicas atuais dizem que não.
As revisões mais recentes não encontraram qualquer prova de que os filtros UV autorizados provoquem cancro em humanos.
É verdade que alguns ingredientes específicos têm levantado preocupações relacionadas com possíveis efeitos endócrinos ou com o impacto ambiental. Ainda assim, os especialistas sublinham que os benefícios da utilização de protetor solar superam claramente os riscos atualmente conhecidos.
Entre esses benefícios estão:
- A prevenção das queimaduras solares.
- A redução do fotoenvelhecimento.
- A diminuição do risco de cancro da pele.
"Abandonar a proteção solar devido a receios infundados representa um risco muito maior para a saúde da pele do que a utilização dos filtros atualmente aprovados e regulamentados", alerta Luís Miguel Farias.
Afinal, qual é o melhor tipo de protetor solar?
Não existe uma resposta única.
A escolha deve ser feita de acordo com as características e necessidades de cada pessoa.
Em geral:
Filtros inorgânicos
- Tendem a ser mais bem tolerados pelas pessoas com pele sensível.
- Apresentam elevada fotoestabilidade.
Filtros orgânicos
- Permitem formulações mais leves e transparentes.
- São, habitualmente, mais agradáveis de aplicar.
- Favorecem a utilização diária.
"Não existe um tipo de filtro que seja universalmente melhor do que outro. O mais importante é escolher um protetor solar de largo espectro que se adapte às preferências de utilização de cada pessoa e garantir a sua aplicação e reaplicação adequadas durante os períodos de exposição solar", conclui o especialista.