Nova 'guerra' chega às praias portuguesas. Influencer entra em discussão por causa de chapéus de sol: "Este lugar é nosso"
Entre lugares reservados por chapéus de sol e garrafões, o verão português está a tornar-se pequeno para todos. E este caso está a geral polémica
Há uma guerra a acontecer nas praias portuguesas. Não envolve nadadores-salvadores, concessionários ou bandeiras vermelhas. Envolve chapéus de sol. A lógica é simples: chega-se cedo, estende-se a toalha, abre-se o chapéu e está encontrado o lugar. O problema começa quando o chapéu chega antes da pessoa, e fica lá, sozinho, durante horas ou até de um dia para o outro.
Foi precisamente esse cenário que colocou a influenciadora portuguesa Rebeca Caldeira no centro de uma discussão numa praia de Soltroia, onde está a passar férias com o marido, Martim, e os dois filhos.
Segundo contou nas redes sociais, o problema repetiu-se durante as férias: apesar de chegar cedo à praia, a família tinha dificuldade em encontrar espaço para colocar o próprio chapéu junto ao passadiço, porque havia chapéus deixados no areal para “guardar” lugares.
A polémica que envolve a influencer portuguesa está a dar que falar
Num dos dias destas férias, Rebeca e o marido decidiram retirar um desses chapéus. De acordo com o relato da influenciadora, o casal a quem pertencia o chapéu chegou depois e mostrou-se indignado com o que tinha acontecido.
“Chegou aqui um casal super chateado porque nós tirámos o chapéu deles”, contou Rebeca, acrescentando que os dois acabaram por colocar o próprio chapéu “literalmente pegado” ao da família.
Mas foi a justificação dada pelo outro casal que incendiou a discussão. “Vimos para aqui há 20 anos, este lugar é nosso”, terão dito, segundo Rebeca.
A influenciadora diz ainda que ela e o marido foram acusados de serem “mal-educados” por terem retirado o chapéu.
O chapéu como “reserva”: hábito de verão ou abuso?
O episódio rapidamente deixou de ser apenas uma discussão entre duas famílias. Nas redes sociais, abriu-se o habitual julgamento coletivo: quem está certo? Quem chegou primeiro? Um chapéu deixado na areia vale como reserva? E, sobretudo, pode alguém reclamar como seu um pedaço de praia que é, por definição, de utilização pública?
A verdade é que a prática não é propriamente nova. Em praias muito procuradas, sobretudo durante os meses de maior afluência, há quem chegue de madrugada ou muito cedo para conseguir um bom lugar. E há também quem deixe toalhas, cadeiras ou chapéus no areal para garantir que, quando regressar, o espaço continua disponível.
É uma espécie de sistema informal de reservas. Sem marcação, sem bilhete e sem funcionário à porta. O problema surge quando toda a gente começa a fazer o mesmo.
Um chapéu transforma-se num marcador territorial. Uma toalha passa a funcionar como uma placa de “reservado”. E aquilo que começou por ser uma forma prática de garantir espaço para a família pode acabar por significar que vários metros de areia permanecem ocupados por objetos enquanto não há ninguém por perto.
E, num verão em que as praias portuguesas são procuradas por milhares de pessoas, basta juntar calor, lotação e falta de espaço para a receita da discussão estar completa.
A própria Agência Portuguesa do Ambiente veio este verão esclarecer o enquadramento da utilização das praias: as praias são espaços de utilização pública e, nas áreas não concessionadas, os utentes podem colocar chapéus de praia, para-ventos ou outros equipamentos balneares particulares.
Isto não significa, porém, que exista uma espécie de direito de propriedade sobre um determinado pedaço de areia. A praia continua a ser espaço público e a utilização tem de respeitar as regras aplicáveis, as áreas concessionadas e as determinações das autoridades.
E ainda há os lugares de estacionamento
O mais curioso é que a guerra dos chapéus não acontece isoladamente. Este verão, outro fenómeno tem voltado a dar que falar em zonas balneares portuguesas: os lugares de estacionamento “reservados” por moradores com garrafões de água, cadeiras, cones e outros objetos.
No Algarve, a prática tem sido particularmente visível. Em Monte Gordo, por exemplo, a utilização de objetos para impedir que outros condutores ocupem determinados lugares voltou a gerar discussão entre residentes e turistas.
Na praia, disputa-se a areia. Na rua, disputa-se o estacionamento.
Veja agora, na galeria acima que preparámos para si, as melhores fotografias de Rebeca Caldeira