Reforma. Foto: pexels
Reforma. Foto: pexels |

Reforma: 4 cuidados essenciais para manter as contas equilibradas

Doutor Finanças
30 set., 11:05

A chegada à reforma pode trazer desafios à forma como gere o seu dinheiro. Saiba como organizar o orçamento, rever despesas, proteger as poupanças e, se necessário, solicitar apoios

Embora a pensão possa garantir um rendimento regular, a margem para enfrentar despesas inesperadas, aumentos de preços ou recuperar de uma perda financeira pode ser mais reduzida. Por isso, é importante adaptar as decisões financeiras a esta nova fase da vida.

Veja, de seguida, quatro cuidados que podem ajudá-lo a proteger o seu dinheiro.

1.      Faça uma revisão completa às suas finanças

O primeiro cuidado passa por perceber qual é, efetivamente, o seu rendimento mensal - pensão líquida e eventuais apoios - e quais as despesas fixas e variáveis que terá de prever. Esta análise deve incluir encargos que não ocorrem mensalmente, como seguros, impostos, consultas ou exames médicos, reparações, entre outros.

Ter uma visão global do orçamento permite identificar despesas desnecessárias e reservar dinheiro para situações imprevistas. Também ajuda a evitar que um encargo anual comprometa o rendimento disponível num determinado mês.

2.      Reveja despesas e contratos que já não fazem sentido

Com o passar dos anos, é natural que possa acumular serviços e contratos que vão deixando de ser adequados às suas necessidades. É o caso de subscrições de serviços pouco utilizados, pacotes de telecomunicações demasiado abrangentes, seguros duplicados ou contas bancárias com comissões elevadas.

Uma revisão regular a este tipo de encargos pode ajudar a reduzir despesas. Ainda assim, antes de cancelar um seguro ou serviço, não deixe de verificar as condições do contrato e confirmar se pode ficar sujeito a algum tipo de penalização ou se essa decisão o pode deixar desprotegido.

3.      Não aplique as poupanças sem avaliar os riscos

Se consegue pôr algum dinheiro de parte para complementar a pensão, é importante que saiba avaliar os riscos e garantir que o dinheiro aplicado não será necessário para fazer face a imprevistos. Desde logo, é essencial que o montante destinado a despesas de saúde, habitação ou emergências esteja acessível e protegido de oscilações do mercado. Ou seja, deve aplicá-lo somente em produtos com capital garantido, como depósitos a prazo ou certificados de aforro.

Só os fundos que prevê não precisar nos próximos anos devem ser aplicados a longo prazo. Um PPR, por exemplo, pode continuar a ser uma opção, desde que apresente riscos adequados ao seu perfil e regras de resgate claras. Mas, atenção, os valores que aplicar depois da reforma já não beneficiam da dedução à coleta de IRS, uma das grandes vantagens destes produtos.

Ter alguns cuidados antes de investir na reforma não significa, no entanto, que não deva fazê-lo. Basta que tenha em consideração o tempo disponível para recuperar eventuais perdas e que produtos são mais adequados à sua situação financeira.

4.      Confirme se tem direito a algum apoio

Poupar e cortar em serviços dispensáveis pode ajudar a equilibrar o orçamento. Mas quando a necessidade se alarga a bens e serviços essenciais, como alimentação, medicamentos ou aquecimento, deve verificar se existem apoios ou benefícios que possam aliviar a sua situação financeira.

O Complemento Solidário para Idosos (CSI) é uma das prestações a considerar por quem tem rendimentos mais baixos. Além do apoio monetário, é possível ter ainda direito a benefícios adicionais de saúde, que ajudam a reduzir algumas despesas com medicamentos, óculos ou próteses dentárias.

A tarifa social de energia, que permite ter um desconto no fornecimento de eletricidade e gás natural, é outro dos apoios a considerar. Este é aplicado de forma automática através do cruzamento de dados entre a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a Autoridade Tributária e a Segurança Social. Já no caso da água, a tarifa social depende da autarquia ou da entidade gestora.

Conhecer os apoios disponíveis ajuda a garantir o acesso a bens e serviços essenciais. Como nem todos são atribuídos automaticamente, deve confirmar as condições e perceber se é necessário apresentar um pedido para que possa beneficiar deles.

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