A passagem para a reforma pode reduzir o rendimento sem eliminar grande parte dos encargos. Por isso, preparar o orçamento na reforma ajuda a perceber quanto pode gastar e a evitar que uma despesa inesperada desequilibre as contas.
O objetivo não é cortar tudo o que dá prazer. É garantir primeiro o essencial, antecipar pagamentos e preservar margem para manter a qualidade de vida. Estas sete dicas ajudam a começar.
1. Faça contas com o valor que realmente recebe
Use o montante líquido da pensão, ou seja, o valor que entra na conta. Se receber mais do que uma pensão, some os valores líquidos. Inclua outros rendimentos apenas quando forem regulares e previsíveis.
Reembolsos de IRS, vendas de bens ou ajudas ocasionais não devem financiar as despesas do mês.
2. Defina uma ordem para os pagamentos
Comece pela habitação, alimentação, energia, medicamentos, transportes essenciais e prestações de crédito. Depois, prepare os encargos previsíveis. Só o valor restante deve ser distribuído por lazer, roupa, refeições fora ou compras adiáveis.
3. Converta despesas anuais numa poupança mensal
Consulte extratos, faturas e recibos dos últimos 12 meses. Some o IMI, seguros, consultas, manutenção do automóvel, reparações e encargos extraordinários do condomínio. Divida o total por 12 e reserve esse valor todos os meses.
Se prevê gastar 1.800 euros durante o ano, deve guardar 150 euros por mês. Uma conta separada evita confundir esta reserva com o dinheiro disponível.
4. Dê à saúde uma poupança
Os medicamentos habituais devem entrar nas despesas fixas. Já consultas, exames, óculos, tratamentos e cuidados dentários podem ser preparados através de uma poupança específica.
Ajuste o valor ao histórico de gastos, às doenças crónicas e aos encargos suportados pelo SNS, subsistema ou seguro.
5. Construa uma almofada para emergências
Um fundo de emergência equivalente a três a seis meses de despesas essenciais pode servir de referência. Contudo, a meta deve refletir a saúde, a situação da casa e a existência de outros apoios.
Guarde o dinheiro numa solução acessível e sem oscilações significativas. Se não conseguir reunir a quantia rapidamente, comece com uma contribuição mensal realista.
6. Calcule o custo completo da habitação
Uma casa paga continua a exigir IMI, condomínio, seguro, manutenção, obras e adaptações. Numa casa arrendada, deve prever atualizações da renda. Se ainda paga crédito habitação, junte à prestação os seguros, impostos, condomínio e custos de conservação.
7. Reveja as contas antes de cortar no essencial
Compare mensalmente o orçamento previsto com as despesas reais. Perante uma quebra de margem, reveja comissões bancárias, cartões, subscrições, telecomunicações e seguros duplicados antes de reduzir despesas com alimentação, saúde ou aquecimento.
Caso precise de crédito para pagar despesas correntes, confirme também se reúne as condições para beneficiar de apoios sociais ou tarifas sociais.