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Especialista em saúde renal alerta para a 'moda' de beber esta quantidade de água: "Tem tanto de mito, como de mentira"

“Como acontece em muitas áreas da medicina, a nefrologia também está cheia de mitos, e a água é um deles”

IOL
19 jan, 10:38
Beber água
Beber água
Foto: freepik

Sempre ouvimos dizer que devemos beber dois litros de água por dia para manter a saúde em dia. Esta recomendação tornou-se quase uma regra universal, repetida por médicos, campanhas de saúde e até nas redes sociais. No entanto, um especialista em saude renal alerta que esta ideia pode não passar de um mito e explica qual é, afinal, a quantidade mínima de água que o corpo realmente precisa.

O especialista, Borja Quiroga, esteve no podcast da Cadena SER, onde abordou vários temas relacionados com a saúde renal. Citado pelo site AS, um dos momentos que mais se destacou foi quando colocou em causa a recomendação generalizada do consumo diário de dois litros de água, sublinhando que não existe uma necessidade universal igual para todas as pessoas.

“Como acontece em muitas áreas da medicina, a nefrologia também está cheia de mitos, e a água é um deles”, afirmou. Segundo o especialista, não faz sentido estabelecer uma ingestão fixa para toda a população, uma vez que cada organismo funciona de forma diferente e está sujeito a variáveis como idade, atividade física, clima e estado de saúde.

Para sustentar o seu argumento, Borja Quiroga recorreu ao exemplo de doentes em diálise, cujos rins não funcionam corretamente. Nestes casos, a água ingerida não é eliminada através da urina e acaba por se acumular no corpo. “Há doentes que, de uma sessão para a outra, aumentam dois ou três quilos de peso. Não somos nuvens, esta água tem de vir de algum lado”, explicou.

O nefrologista esclareceu ainda que o rim precisa, em média, de cerca de meio litro de água por dia para eliminar toxinas. No entanto, o corpo perde líquidos naturalmente através da respiração e da transpiração, num total aproximado de 700 a 800 mililitros diários. Somando estas perdas à produção de urina, o valor mínimo situa-se nos 1,2 litros por dia.

Este valor, contudo, não é fixo. “Se fizer exercício físico, se estiver muito calor ou se houver perdas gastrointestinais, é necessário aumentar a quantidade de água ingerida”, sublinhou o especialista.

O especialista deixou ainda um conselho, muitas vezes esquecido: ouvir o próprio corpo. “Para saber quanto beber, devemos prestar atenção a um dos estímulos mais primitivos e importantes que temos: a sede”, concluiu.

 

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