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Covid-19 grave acelera o envelhecimento do nosso cérebro em 20 anos, revela estudo

Um estudo realizado no Reino Unido revela que o declínio cognitivo persistente é uma das consequências e pode surgir seis meses após a hospitalização por covid-19.

CNN Portugal
4 mai, 10:13
Fonte: DCT
4 mai, 10:13
Apesar de o défice cognitivo ter sido notório apenas seis meses depois do internamento, o estudo indica que a gravidade desse envelhecimento cerebral é maior quanto maior for a gravidade da doença em si. (Pexels)
Apesar de o défice cognitivo ter sido notório apenas seis meses depois do internamento, o estudo indica que a gravidade desse envelhecimento cerebral é maior quanto maior for a gravidade da doença em si. (Pexels)

Processamento de informação mais lento, capacidade de resposta também mais lenta e dificuldade em raciocinar. Estas são três das características do declínio cognitivo associado à hospitalização por SARS-CoV-2, revela um estudo da Universidade de Cambridge. Esse envelhecimento cerebral em quem necessitou de internamento hospitalar foi acelerado em 20 anos à boleia da covid-19.

Numa publicação feita na revista eClinicalMedicine, citada pelo The Guardian, David Menon, professor de Cambridge e um dos mentores da investigação, revela que a covid-19 grave que obriga a internamento envelhece o cérebro a uma maior velocidade, fazendo com que as pessoas apresentem um declínio cognitivo semelhante ao observado entre os 50 e os 70 anos de idade.

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 46 pacientes com covid-19 grave que foram internados entre 10 de março de 2020 e 31 de julho de 2020, tendo 16 deles necessitado de ventilador. Os participantes foram alvo de testes cognitivos seis meses após a hospitalização e os resultados foram comparados com os obtidos junto de 460 pessoas que não testaram positivo.

“Os sobreviventes de covid-19 foram menos precisos e mais lentos nas suas respostas do que o esperado em comparação com o grupo de controlo”, lê-se no estudo, que salienta que as dificuldades no processamento de informação sentidas por quem ultrapassou a doença são distintas entre pessoas, mas, no geral, “semelhantes em magnitude aos efeitos do envelhecimento entre os 50 e os 70 anos de idade”.

A coisa com a qual eles mais lutam é o raciocínio verbal”, disse Menon, citado pela publicação britânica. Por raciocínio verbal entende-se a capacidade para pensar com lógica e coerência e entender informações verbais.

Apesar de o défice cognitivo ter sido notório apenas seis meses depois do internamento, o estudo indica que a gravidade desse envelhecimento cerebral é maior quanto maior for a gravidade da doença em si e a recuperação é lenta, sendo necessários mais estudos para medir o impacto a longo prazo da covid-19 no envelhecimento cognitivo.

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