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Tudo o que se sabe sobre o Hantavírus: o que é, sintomas e transmissão

IOL
8 mai., 11:40
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OMS explica tudo sobre o hantavírus

O Hantavírus é um grupo de vírus transmitido sobretudo por roedores e que pode causar doenças graves em humanos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se de uma infeção zoonótica, ou seja, passa dos animais para as pessoas, geralmente através do contacto com urina, fezes ou saliva de roedores infetados.

A OMS explica que a infeção ocorre principalmente pela inalação de aerossóis contaminados, sobretudo em espaços fechados ou pouco ventilados. Em menor frequência, pode acontecer através de mordeduras de roedores. Atividades como limpeza de locais fechados, trabalho agrícola, florestal ou contacto com habitações infestadas aumentam significativamente o risco de exposição.

Os sintomas surgem normalmente entre uma a oito semanas após a exposição e podem começar de forma pouco específica.

  • febre
  • dores de cabeça
  • dores musculares
  • fadiga
  • sintomas gastrointestinais (náuseas, vómitos ou dor abdominal)

Segundo a OMS, a gravidade da doença varia consoante o tipo de hantavírus e a região onde ocorre a infeção. Nas Américas, a doença pode evoluir para a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (HCPS), uma condição respiratória rapidamente progressiva que afeta pulmões e coração, podendo levar a acumulação de líquidos nos pulmões e choque. Esta forma pode apresentar taxas de mortalidade elevadas, chegando até cerca de 50%.

Na Europa e na Ásia, os hantavírus estão associados à febre hemorrágica com síndrome renal (HFRS), que afeta principalmente os rins e os vasos sanguíneos, podendo causar insuficiência renal, alterações da pressão arterial e problemas de coagulação.

A transmissão entre humanos é considerada extremamente rara. A OMS refere que apenas o vírus Andes, identificado na América do Sul (Argentina e Chile), apresenta casos documentados de transmissão pessoa-a-pessoa, e mesmo assim apenas em contactos muito próximos e prolongados, como entre membros da mesma família ou casais. Na maioria dos outros tipos de hantavírus, não há evidência de transmissão entre humanos.

Não existe tratamento antiviral específico nem vacina. O tratamento é essencialmente de suporte, com monitorização clínica apertada e gestão das complicações respiratórias, cardíacas ou renais. A OMS sublinha que o acesso precoce a cuidados intensivos pode ser determinante, sobretudo nos casos mais graves de HCPS.

O diagnóstico pode ser difícil no início, uma vez que os sintomas são semelhantes aos de outras doenças como gripe, COVID-19, pneumonia viral, leptospirose, dengue ou até sepsis. Por isso, é essencial considerar o histórico de exposição a roedores, contexto ocupacional, viagens ou contacto com casos suspeitos.

A confirmação laboratorial é feita através de testes serológicos (deteção de anticorpos IgM ou aumento de IgG) e métodos moleculares como RT-PCR, que pode detetar o vírus na fase aguda.

A OMS reforça que a prevenção depende sobretudo da redução do contacto entre humanos e roedores. Entre as principais medidas estão:

  • manter casas e locais de trabalho limpos
  • vedar entradas de roedores em edifícios
  • armazenar alimentos de forma segura
  • evitar varrer a seco fezes ou urina de roedores
  • humedecer áreas contaminadas antes da limpeza
  • reforçar a higiene das mãos

Em contexto de surtos, a OMS destaca ainda a importância da identificação precoce de casos, isolamento, vigilância de contactos próximos e aplicação rigorosa de medidas de controlo de infeção.

Nos cuidados de saúde, o risco de transmissão é considerado muito baixo quando são aplicadas medidas adequadas. Ainda assim, recomendam-se precauções padrão, e em procedimentos que gerem aerossóis devem ser usadas medidas adicionais de proteção.

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