Casal leva filhos a viajar pelo mundo antes de as crianças perderem a visão [FOTOS]

Edith Lemay e Sebastien Pelletier estão a viajar pelo mundo com os quatro filhos. Mas o que os levou a embarcar nesta aventura é profundamente triste. Ainda assim, é uma história inspiradora e que já é seguida por mais de 15 mil pessoas nas redes sociais.

13 set, 16:45

Esta história tem início quando a filha do casal canadiano, Mia, tinha apenas três anos e começou a desenvolver problemas de visão, conta a CNN Travel. A menina, a mais velha dos quatro irmãos, viria a ser diagnosticada com retinose pigmentar. De acordo com o Instituto Português de Retina, trata-se de "um grupo de distúrbios genéticos que afetam a capacidade da retina em processar a luz. É uma doença hereditária que causa uma perda gradual da visão, começando pela diminuição da visão noturna (nictalopia) e perda de visão periférica". Atualmente não existe cura para esta doença.

Depois do diagnóstico de Mia, que hoje tem 12 anos, Edith e Sebastien notaram os mesmos sintomas em outros dois filhos: Colin, agora com sete anos, e Laurent, com cinco. Infelizmente, os receios confirmaram-se e ambos foram diagnosticados com a mesma doença da irmã. Leo, com nove anos, não apresenta sinais de ter o mesmo distúrbio que os irmãos.

O casal não baixou os braços e desde então tem-se dedicado a ajudar os filhos a desenvolver as competências necessárias para viver o melhor possível durante o processo de perda de visão, que é irreversível.

Uma das recomendações da equipa médica da irmã mais velha foi a de que fossem criadas muitas “memórias visuais”. A mãe pensou que teria de levar esta recomendação a sério pelo bem-estar de Mia. "Pensei: 'Não lhe vou mostrar um elefante num livro, vou levá-la a ver um elefante real", explicou à CNN. "E vou encher a memória visual dela com as melhores e mais belas imagens que puder."

O casal começou a fazer planos para uma viagem de um ano em família. Além das poupanças da família, Sebastien teve a sorte de ter recebido dinheiro pelas ações da empresa na qual trabalhava e que foi vendida. Isto foi uma ajuda preciosa para concretizar o plano do casal.

Começaram a viagem pela Namíbia, seguiram para a Zâmbia e depois para a Tanzânia.  Segiu-se a Turquia, onde passaram um mês, tendo viajado depois para a Mongólia e Indonésia.

Esta viagem, segundo os pais, é uma forma de fazer com que os filhos vejam o mundo, mas também faz com que as crianças desenvolvam novas competências e, acima de tudo, se tornem cada vez mais resilientes.

Enquanto Mia, agora a entrar na adolescência, sabe da sua condição desde os sete anos, Colin e Laurent descobriram mais recentemente e começam a fazer perguntas difíceis. "O meu filho perguntou-me: 'Mamã, o que significa ser cego? Vou poder conduzir um carro?'", conta Edith. "Ele tem cinco anos. Mas, aos poucos, começa a perceber o que está a acontecer. Foi uma conversa normal para ele. Mas para mim… Foi de partir o coração." "Queria mostrar-lhes que, apesar das dificuldades, eles têm sorte por ter água corrente em casa e por poderem ir à escola todos os dias com livros coloridos e bonitos", acrescenta a mãe.

A família tem narrado ao mundo a sua viagem nas redes sociais. Pode seguir esta família inspiradora aqui

 

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