Investigadores concluíram que uma maior exposição à poluição atmosférica pode abrandar o desenvolvimento dos pulmões até ao início da idade adulta. O estudo mostra que a poluição do ar está a afetar o crescimento pulmonar das crianças no Reino Unido.
Os cientistas acompanharam a função pulmonar de mais de 5.000 pessoas nascidas em Bristol e arredores, na década de 1990. A saúde dos participantes foi avaliada desde o nascimento, tendo a função pulmonar sido medida aos oito e aos 15 anos e, posteriormente, já na idade adulta, aos 24 anos, altura em que deveria ter atingido o seu máximo.
Outros artigos:
- Crianças à mesa com etiqueta moderna
- Norte-americana SRAMPORT vai criar nova fábrica em Coimbra e prevê gerar 527 empregos
- Estes são os 16 hotéis mais bonitos do mundo em 2026, segundo o Prix Versailles
- O que fazer e não fazer para ter sucesso
Anna Hansell, professora da Universidade de Leicester e responsável pelo estudo, explicou que grande parte da evidência sobre os efeitos da poluição atmosférica na saúde diz respeito a adultos ou ao período da gravidez, mas que é “altamente plausível” que a exposição à poluição tenha impacto no crescimento e desenvolvimento das crianças.
“As pessoas cujos pulmões não atingiram o seu potencial máximo durante a infância podem ficar mais vulneráveis a doenças respiratórias ao longo da vida, por terem uma menor reserva pulmonar. São também mais vulneráveis a um pior estado geral de saúde. Por exemplo, uma baixa função pulmonar em adultos está associada ao mesmo nível de risco de doença cardíaca que o colesterol elevado”, afirmou.
A investigação também comprovou que as pessoas cuja saúde pulmonar foi afetada pela poluição atmosférica podem apresentar maior risco de doença cardíaca.
Katie Eminson, também da Universidade de Leicester e uma das primeiras autoras do estudo, referiu que a função pulmonar foi medida através de espirometria por técnicos especializados. Os participantes foram convidados a inspirar profundamente e depois a expirar com a maior força e rapidez possível através de um bocal. O equipamento mediu tanto a quantidade de ar expirada como a velocidade da expiração, permitindo avaliar o funcionamento dos pulmões.
Os investigadores calcularam a exposição das crianças à poluição atmosférica em cada trimestre da gravidez e, depois, em cada ano da primeira infância. A análise incluiu a poluição por partículas, bem como o dióxido de azoto, um gás proveniente sobretudo de automóveis a gasóleo e de caldeiras a gás fóssil.
Segundo Hansell, a equipa passou “literalmente anos” a criar estimativas de exposição à poluição por partículas durante a gravidez e nos primeiros anos de vida, incluindo a recolha de dados de tráfego rodoviário junto do município de Bristol, que não estavam disponíveis na base de dados nacional.
Os investigadores tiveram também em conta outros fatores que podem influenciar a saúde das crianças, incluindo o nascimento prematuro, a amamentação, o tabagismo parental e as condições habitacionais, como a humidade.
O estudo concluiu que respirar ar mais poluído durante a gravidez, a infância e os primeiros anos de vida pode abrandar o desenvolvimento pulmonar até ao início da idade adulta. O maior impacto foi observado durante a adolescência, fase em que o crescimento dos pulmões acelera.
Um estudo anterior já tinha concluído que a poluição atmosférica estava a reduzir o crescimento dos pulmões das crianças no leste de Londres. Nesse caso, os pulmões de uma criança média de nove anos eram entre 90 e 100 mililitros mais pequenos do que deveriam ser aproximadamente o volume de dois ovos de galinha.
Estudos realizados com crianças na Suécia mostraram que o crescimento pulmonar aumentou quando a qualidade do ar melhorou. A redução da poluição atmosférica poderá também ter permitido que o crescimento pulmonar das crianças de Bristol se aproximasse de valores normais.
Katie Eminson concluiu que, embora os efeitos em cada criança sejam pequenos e pouco prováveis de ter consequências clínicas imediatas, não devem ser desvalorizados. “Como a função pulmonar tende a acompanhar a pessoa da infância até à idade adulta, pequenas diferenças nos primeiros anos de vida podem ter implicações para a saúde a longo prazo. Isto reforça a importância de reduzir a exposição à poluição e de proteger os ambientes em que as crianças crescem”, afirmou.
Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders.