Algumas das decisões mais delicadas a tomar envolvem a saúde, o corpo e a forma como queremos ser tratados numa situação de incapacidade ou após a morte. Deixar estas decisões registadas com antecedência é uma forma de aliviar a carga emocional dos familiares e garantir que a sua vontade é respeitada.
Neste artigo, explicamos o que pode fazer ainda em vida para tomar o controlo sobre estas escolhas e evitar que outros tenham de decidir por si num momento difícil.
O que é o testamento vital?
O testamento vital, legalmente designado como Diretiva Antecipada de Vontade (DAV), é um documento no qual pode indicar os cuidados de saúde que aceita ou recusa receber caso esteja incapacitado de expressar a sua vontade. Pode ser usado, por exemplo, em situações de doença incurável em fase terminal ou em estado de inconsciência permanente com danos cerebrais irreversíveis.
Neste documento, pode deixar claro que:
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Não quer ser submetido a suporte artificial das funções vitais;
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Aceita receber cuidados paliativos;
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Recusa tratamentos experimentais ou desproporcionados;
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Autoriza ou recusa a participação em ensaios clínicos;
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Quer ou não assistência religiosa;
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Indica quem gostaria de ter por perto nesse momento.
O testamento vital é gratuito e pode ser registado através do site do RENTEV – Registo Nacional do Testamento Vital. No entanto, tem de ser assinado presencialmente num balcão do RENTEV ou enviado por correio com assinatura reconhecida.
Pode nomear um procurador de cuidados de saúde
No mesmo documento, pode indicar uma pessoa de confiança para tomar decisões médicas por si, caso não tenha deixado instruções específicas. Esta figura é conhecida como procurador de cuidados de saúde e só atua se estiver legalmente nomeada.
É recomendável informar os seus familiares e o seu médico de família sobre a existência da DAV, para que seja tida em conta em caso de urgência.
Instruções sobre cremação ou sepultamento
Outro aspeto importante é deixar claro se prefere ser cremado ou sepultado. Esta decisão pode ser incluída no testamento ou num documento separado, desde que esteja acessível à família. Embora possa ser comunicada verbalmente, o ideal é que fique registada por escrito para evitar dúvidas ou conflitos.
Também pode indicar o tipo de cerimónia que prefere – religiosa, civil, íntima – e outros detalhes como o local, a música ou a presença de determinadas pessoas.
Planos funerários: Uma opção a considerar
Algumas pessoas optam por contratar um plano funerário em vida. Esta solução permite pagar antecipadamente os custos associados ao funeral e garantir que tudo decorre conforme os seus desejos. Pode incluir o tipo de cerimónia, transporte, urna, flores e outros elementos logísticos.
Embora não seja obrigatório, um plano funerário pode aliviar encargos financeiros e logísticos para os familiares num momento emocionalmente exigente. O contrato deve ser guardado num local acessível e alguém de confiança deve saber da sua existência.