São vendidos como uma solução «natural» para aliviar o desconforto provocado pelo nascimento dos primeiros dentes. Tornaram-se também um acessório cada vez mais comum em bebés. Mas os chamados colares de âmbar continuam a preocupar os especialistas, que alertam para riscos potencialmente graves.
A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) desaconselha fortemente a utilização de colares de âmbar — e, de forma mais abrangente, de qualquer tipo de colar — por crianças pequenas.
A dentição é um processo natural e, nos primeiros anos de vida, pode ser acompanhada por algum desconforto. É precisamente nessa altura que muitas famílias procuram alternativas para ajudar o bebé, recorrendo por vezes a produtos apresentados como «naturais». É o caso dos colares de âmbar, aos quais são atribuídas propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.
Mas funcionam? Segundo a APSI, não há evidência científica de que funcionem.
A associação explica que não existe evidência de que os colares de âmbar aliviem a dor ou o desconforto associado à erupção dos dentes. A alegação é habitualmente relacionada com o ácido succínico, uma substância que estaria presente em determinados tipos de âmbar. No entanto, a APSI salienta que a maioria dos colares vendidos atualmente para este fim nem sequer corresponde a esse tipo específico de âmbar.
Mais importante do que a alegada eficácia é, contudo, a questão da segurança.
Um colar pode representar um risco grave
Um bebé não precisa de conseguir puxar ou manipular o colar para que exista perigo. Basta que o acessório fique preso, apertado ou se parta.
Um dos principais riscos é o estrangulamento. O colar pode enrolar-se no próprio pescoço da criança ou ficar preso num objeto, numa peça de mobiliário ou até num ramo, exercendo pressão sobre as vias respiratórias.
Existe também risco de asfixia. Se o colar se partir, uma das peças pode soltar-se e ser levada à boca ou ao nariz, podendo bloquear a passagem de ar. O facto de as contas estarem individualmente presas não elimina este perigo: uma única peça solta pode ser suficiente para provocar uma situação de emergência.
A APSI refere ainda a possibilidade de infeção associada à acumulação de sujidade e bactérias no acessório.
"Natural" não significa necessariamente seguro
A popularidade destes colares está muitas vezes associada à ideia de que, por serem feitos de um material natural e serem usados com uma finalidade terapêutica, constituem uma alternativa segura.
Mas, quando falamos de bebés, essa associação pode ser enganadora.
Um produto pode ser vendido como natural, tradicional ou destinado ao alívio do desconforto e, ainda assim, representar um perigo físico. Neste caso, o risco está sobretudo no facto de existir um objeto à volta do pescoço de uma criança pequena.