Ainda há muitas pessoas que confundem seguros de saúde com planos de saúde. Mas, embora ambos permitam aceder a consultas e exames em clínicas e hospitais privados a preços mais baixos, existem diferenças importantes entre estas duas soluções. Conhecê-las pode ajudar a evitar surpresas quando precisar de cuidados médicos.
Coberturas mais amplas nos seguros
Comecemos pelas coberturas. Ao escolher um seguro de saúde estará a fazer um contrato com a seguradora para que, em troca do pagamento de um prémio mensal, aquela garanta a cobertura de um conjunto de riscos relacionados com a sua saúde. As coberturas incluídas nas apólices são normalmente mais abrangentes do que as dos planos de saúde, e podem incluir hospitalização, cirurgias, partos, próteses ou tratamentos relacionados com doenças oncológicas.
Os planos de saúde, por outro lado, funcionam sobretudo como um cartão de descontos numa rede de prestadores. Normalmente, limitam-se a atos médicos em regime de ambulatório, como consultas e exames, e não preveem despesas de hospitalização.
Diferenças também na rede convencionada
Outra diferença entre seguros e planos de saúde está na forma de utilização. Nos seguros de saúde, o cliente pode recorrer à rede convencionada da seguradora, beneficiando de preços mais baixos, mas também pode escolher médicos ou clínicas fora dessa rede. Nesses casos, existe normalmente um sistema de reembolso parcial das despesas.
Nos planos de saúde isso não acontece. O acesso aos descontos fica restrito aos prestadores que têm acordo com a entidade responsável pelo plano. Se recorrer a um profissional ou clínica fora dessa rede, terá de suportar o custo total sem qualquer reembolso.
As diferenças não ficam por aqui e estendem-se também a quem pode comercializar cada um destes produtos. Os seguros de saúde só podem ser vendidos por seguradoras ou mediadores autorizados e registados junto da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões. Já os planos de saúde podem ser disponibilizados por empresas de várias áreas, incluindo hospitais, clínicas, bancos, empresas de telecomunicações ou até cadeias de retalho.
Idade e doenças não são consideradas nos planos de saúde
Os seguros de saúde exigem habitualmente o preenchimento de um questionário clínico antes da adesão. É em função dessa análise que a seguradora avalia o risco associado ao estado de saúde do cliente e define o valor do prémio.
Isso significa que doenças preexistentes podem ficar excluídas da cobertura ou levar ao agravamento do preço do seguro. Além disso, muitos seguros têm limites de idade para a adesão.
Nos planos de saúde, a lógica é diferente. A adesão tende a ser mais simples e aberta, sem avaliação médica prévia. Regra geral, qualquer pessoa pode aderir, independentemente da idade ou de problemas de saúde já existentes.