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Esta doença não dá sinais e os portugueses estão em risco devido à alimentação

É uma condição que chega com sintomas subtis e em Portugal o risco é acrescido

IOL
27 nov, 11:17

Continua a ser uma das doenças silenciosas mais sub-diagnosticadas em Portugal e, segundo a nutricionista Diana Teixeira, grande parte do problema está no prato dos portugueses. Em entrevista ao Diário da Manhã, na TVI, a especialista alerta para a falta de diversidade alimentar e para a insuficiência de nutrientes essenciais que podem desencadear (ou agravar) esta condição.

Falamos da anemia, “uma doença muito silenciosa”. Diana Teixeira começa por explicar que a anemia é muitas vezes reduzida ao défice de ferro, mas esse é apenas parte do problema.
 

“A grande maioria dos portugueses considera que ocorre apenas quando temos deficiência de ferro. Mas, na verdade, são muitos outros nutrientes que podem levar ou agravar a ocorrência desta doença, nomeadamente a vitamina B12 e também o ácido fólico”, explicou.

A nutricionista sublinha que muitos portugueses estão em risco devido aos hábitos alimentares pouco diversificados, com baixo consumo de alimentos essenciais para a prevenção desta doença.

Onde estamos a falhar?

Segundo Diana Teixeira, há padrões que se repetem na alimentação nacional:

  • Consumo insuficiente de carne e pescado, alimentos fundamentais para garantir ferro e vitamina B12;
  • Baixa ingestão de hortícolas de folha verde escura, ricos em ácido fólico;
  • Pouca presença de leguminosas, como feijão ou lentilhas.

“Os portugueses estão em risco de desenvolver esta doença muito devido aos seus hábitos alimentares pouco diversificados”, alerta. Mas a boa notícia é que há margem para melhorar e de forma simples. “É um problema fácil de prevenir e também de tratar pela alimentação.”

O que deve estar no prato todos os dias

A nutricionista prefere falar em soluções, não em erros. E apresenta recomendações claras:

  • Incluir carne e pescado numa base diária;
  • Garantir o consumo diário de hortícolas, sobretudo os de folha verde escura;
  • Integrar leguminosas no prato ou até na sopa.

Estas escolhas, diz, fazem realmente diferença na prevenção da anemia.

Pequenos gestos que mudam tudo

Há ainda estratégias no dia a dia que ajudam a potenciar a absorção de ferro:

  • Evitar café e chá preto depois das refeições, pois “podem comprometer a absorção de ferro”;
  • Não associar laticínios às refeições principais, uma vez que prejudicam a absorção, a especialista recomenda deixá-los para o pequeno-almoço ou lanches;
  • Incluir diariamente frutas ricas em vitamina C, como laranja e kiwi, porque “podem potenciar a absorção do ferro da alimentação”.

Quem está mais exposto à anemia?

Alguns grupos exigem atenção redobrada. Diana Teixeira destaca:

  • Crianças e adolescentes, por estarem em fase de crescimento rápido;
  • Grávidas;
  • Mulheres em idade fértil, especialmente com menstruações longas e abundantes;
  • Pessoas que seguem padrões alimentares restritos, como vegetarianos e veganos;
  • Doentes que fazem dietas pouco diversificadas, por exemplo no contexto da obesidade.

Todos devem estar atentos a sinais e procurar ajuda quando necessário. “Devem recorrer a profissionais de saúde sempre que sentem alguns sinais de alerta que podem estar associados à anemia”, disse.

 

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