Pessoa mais velha a fazer exercício com halteres
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SNS vai entregar tablets com inteligência artificial para fazer fisioterapia em casa

IOL
19 jun., 14:44
Fonte: Agência Lusa
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Novo sistema com IA promete reduzir listas de espera na fisioterapia em 97%

Os hospitais e centros de saúde do SNS vão poder prescrever a partir da próxima segunda-feira dispositivos, como tablets, para ajudar os utentes a fazer fisioterapia em casa com recurso à inteligência artificial, foi hoje anunciado.

Como vai funcionar este novo modelo?

"Não é o utente que vai ao centro clínico é o centro clínico que vai ao utente”, disse o presidente e fundador da empresa de cuidados médicos com IA “Sword Health” internacional, Virgílio Bento.

Segundo um comunicado da empresa, será disponibilizada “fisioterapia remota com IA em todos os Hospitais e Centros de Saúde do setor público, sem quaisquer custos para os utentes”.

Que unidades de saúde vão avançar com esta tecnologia?

O responsável falava, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, durante a cerimónia onde também foram assinados protocolos para avançar noutras áreas envolvendo soluções de IA como a triagem e a gestão de cuidados continuados nas ULS Santa Maria, ULS Algarve, ULS Alto Ave, ULS Baixo Mondego, ULS Cova da Beira, ULS Matosinhos, ULS São João, ULS Almada Seixal e a ULS São José.

O que faz o tablet que será entregue aos utentes?

Este modelo da empresa portuguesa “Sword Health” disponibilizado em todo o SNS consiste num tablet fisioterapeuta que dá indicações aos utentes sobre como fazer a sua reabilitação musculoesquelética, recorrendo à inteligência artificial.

A fisioterapia musculoesquelética foca-se no tratamento de disfunções ou doenças dos sistemas musculares, articulares, ósseos e tendinosos (tendões).

E se houver erros ou dificuldades durante os exercícios?

Caso exista algum erro ou uma falha é possível através do dispositivo contactar uma equipa clínica que está sempre disponível para intervir, segundo Virgílio Bento.

O responsável disse que o tablet é disponibilizado aos utentes através de uma prescrição médica e que chega “bastante rápido” a casa do utente, frisando que há certas questões que continuam a ser tratadas presencialmente pelos médicos.

Que impacto pode ter nas listas de espera?

Virgílio Bento estima que, com esta tecnologia, as listas de espera para consultas de fisioterapia no Serviço Nacional de Saúde (SNS) possam reduzir em 97% e consigam uma poupança de 45%.

Já existem resultados concretos?

A ULS Cova da Beira foi a primeira a disponibilizar os dispositivos aos utentes, no ano passado.

“Foi possível reduzir significativamente o número de utentes com estas condições em lista de espera “, declarou o presidente do conselho de administração da ULS Cova da Beira, João Marques Gomes.

De acordo com João Marques, o tempo médio de espera para o início da fisioterapia nesta ULS passou de dois anos para 10 dias após a referenciação hospitalar.

O que dizem os utentes que já utilizaram o sistema?

A paciente Maria Teresa que ainda utiliza o dispositivo disse que conseguiu retomar todas as suas rotinas, indicando que desde o primeiro dia de contacto com o tablet que a "simplicidade [do dispositivo] é extraordinária".

O que tornou possível esta parceria?

A parceria entre o SNS e a empresa é possível, após um decreto que entrou em vigor em fevereiro sobre novas convenções de âmbito nacional, para a prestação de cuidados de medicina física e de reabilitação, através de telerreabilitação, com recurso a dispositivo médico certificado e plataforma tecnológica, destinados à recuperação funcional dos utentes.

O que diz o Governo sobre o papel da inteligência artificial na saúde?

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, presente no evento, disse que a inteligência artificial não será a solução para todos os problemas, mas vai contribuir para uma maior acessibilidade a cuidados de saúde no país.

Porque continua atrasado o novo centro de dados do SNS?

Já o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, após ser questionado pelos jornalistas no final do evento sobre o motivo pela qual o novo centro de dados do SNS, previsto para entrar em funcionamento em 2023, ainda estar inativo, respondeu que “o centro de dados tem desafios do ponto de vista tecnológico que são relevantes”.

Fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) anunciou na terça-feira à Lusa que o SNS vai dispor de um novo centro de dados até final deste ano, que vai assegurar, a partir de Évora, uma redundância em tempo real com o `data center´ que funciona atualmente no Porto.

No entanto, no final de 2022, o presidente dos SPMS já tinha anunciado que os servidores do ‘data center’ de Évora seriam instalados até ao final do primeiro trimestre de 2023, funcionando a redundância a partir dos meses seguintes.

O que mudará quando o novo centro estiver operacional?

“O novo centro de dados vai permitir redundância em tempo real. Se houver uma falha num centro de dados, o outro iniciará o funcionamento imediatamente”, adiantou a fonte dos SPMS, entidade que gere todos os sistemas de informação e infraestruturas tecnológicas do SNS.

Na passada sexta-feira, uma falha de energia causou perturbações no acesso a serviços e sistemas de informação do SNS, que foram sendo progressivamente repostos, mas alguns constrangimentos temporários continuaram a verificar-se nos dias seguintes.

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