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Tosquiar os cães na época de calor pode, afinal, ser um grande erro

IOL
31 ago., 16:15
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Com as temperaturas a subir, cortar demasiado o pelo pode deixar o animal mais exposto ao calor e ao sol

Quando chega o calor, é natural que muitos tutores pensem que uma boa tosquia pode ajudar os cães a suportar melhor as temperaturas elevadas. Mas aquilo que parece uma solução simples pode, em muitos casos, ter precisamente o efeito contrário.

“O pelo não é um inimigo do calor. É, antes, uma das principais formas de proteção natural do seu cão”, alerta Marta Pereira, médica veterinária da ZU, num comunicado da empresa. Antes de pegar na máquina de tosquiar, é por isso importante perceber qual é a função da pelagem e, sobretudo, ter em conta o tipo de pelo do animal.

O pelo também protege do calor

Ao contrário das pessoas, os cães não regulam a temperatura corporal através da transpiração da pele. O principal mecanismo de arrefecimento acontece através da respiração e da evaporação provocada pelo ofegar.

“O pelo, por sua vez, desempenha um papel fundamental na termorregulação, funcionando como um isolante natural que ajuda a proteger tanto do frio como do calor”, explica a veterinária.

A pelagem tem ainda outra função importante: proteger a pele da exposição direta ao exterior.

Tosquiar demasiado pode deixar a pele mais vulnerável

Além de funcionar como isolante térmico, o pelo constitui uma barreira física contra a radiação solar e ajuda a reduzir a exposição da pele aos raios ultravioleta.

“Também protege contra pequenas agressões externas, como picadas de insetos, abrasões, poeiras e outros agentes ambientais”, acrescenta Marta Pereira.

É precisamente por isso que uma tosquia excessiva pode trazer alguns riscos. “Quando o pelo é removido de forma excessiva, perde-se grande parte desta proteção natural. A pele fica mais vulnerável às queimaduras solares, aumenta o risco de dermatites e, em vez de impedir o aquecimento do animal, a radiação solar atinge diretamente a pele, podendo favorecer o sobreaquecimento”, sublinha a especialista.

Nem todos os cães devem ser tosquiados da mesma forma

A decisão de cortar o pelo deve ter em conta as características da pelagem de cada cão. E aqui as diferenças entre raças são importantes.

Os cães de pelagem dupla, como o Husky Siberiano, Golden Retriever, Pastor Alemão ou Border Collie, têm duas camadas de pelo: um subpelo denso, responsável pelo isolamento térmico, e uma camada externa que ajuda a proteger da radiação solar e da humidade.

Nestes casos, “a tosquia geralmente não é recomendada”, explica Marta Pereira, uma vez que pode comprometer o funcionamento deste sistema natural e até alterar o crescimento normal do pelo.

Já os cães de pelagem de crescimento contínuo, como o Caniche, Maltês, Bichon Frisé ou Yorkshire Terrier, precisam de tosquias regulares para manter o pelo saudável e evitar a formação de nós.

Ainda assim, durante o verão, a veterinária sublinha que deve ser mantido “um comprimento suficiente para que a pele continue protegida”.

Quando é que a tosquia pode ser necessária?

Há situações em que cortar o pelo pode ser aconselhável ou mesmo necessário.

Segundo a veterinária, isso pode acontecer quando o animal tem o pelo muito emaranhado e impossível de escovar, em determinadas doenças de pele, sempre sob orientação médico-veterinária, ou quando é necessário facilitar a higiene de zonas específicas, como as patas ou a região perianal.

Por isso, não existe uma solução única para todos os cães.

Como ajudar o cão a lidar com o calor

Mais do que cortar o pelo, existem outros cuidados que podem ajudar a manter o animal confortável durante os meses mais quentes.

1. Escovar com frequência

A escovagem ajuda a remover o subpelo morto, melhora a circulação de ar junto à pele e facilita a dissipação do calor.

2. Dar banhos adequados

Banhos com champôs adequados, seguidos de uma secagem completa, contribuem para manter a pele saudável.

3. Evitar o golpe de calor

Independentemente da raça, todos os cães devem ter sempre água fresca e acesso a sombra.

Também é importante evitar passeios ou exercício físico nas horas de maior calor, reduzindo assim o risco de golpe de calor.

Antes da tosquia, peça aconselhamento

Antes de optar por uma tosquia radical, Marta Pereira recomenda falar com o médico veterinário ou com um profissional de grooming qualificado.

“Cada animal tem necessidades próprias e uma avaliação individual permitirá escolher a solução mais adequada para preservar a saúde da pele e da pelagem”, aconselha.

A veterinária recomenda ainda que os tutores procurem aconselhamento profissional tendo em conta fatores como a raça, idade, possíveis patologias, características específicas e histórico clínico do animal.

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