Uma discussão entre uma mãe e o filho adolescente terminou em tragédia em Algés. Um jovem de 15 anos confessou às autoridades ter provocado a morte da mãe, de 33 anos, e terá apresentado uma explicação que coloca a irmã de apenas quatro anos no centro do episódio.
O caso aconteceu numa habitação no Bairro Clemente Vicente, em Algés, no concelho de Oeiras. Segundo a informação divulgada pela PSP à Lusa e noticiada pelo Jornal de Notícias, o adolescente terá contado às autoridades que discutiu com a mãe na noite de quarta-feira e que, durante a discussão, a asfixiou com um golpe conhecido como “mata-leão”. A mulher morreu e o corpo permaneceu na habitação até à intervenção das autoridades.
O alerta só viria a ser dado cerca de 21 horas depois. De acordo com a informação que consta dos relatos publicados sobre o caso, o adolescente contactou as autoridades na tarde de quinta-feira, acabando por ser detido pela PSP. A Polícia Judiciária foi entretanto acionada para prosseguir a investigação.
“Quis proteger a irmã”
Segundo o Correio da Manhã à confissão do adolescente, a discussão terá começado por causa da irmã, de quatro anos. O jovem terá dito às autoridades que viu a mãe a maltratá-la e que decidiu intervir para a proteger.
Esta versão, porém, deve ser entendida como a alegação apresentada pelo próprio suspeito e não como uma conclusão da investigação. Ainda segundo essa versão, depois de a mãe ter ficado inanimada, o adolescente terá permanecido em casa com a irmã durante a noite. Terá cuidado dela, deitado a criança e, na manhã seguinte, voltado a prestar-lhe os cuidados necessários.
Os dois terão mesmo saído de casa e sido vistos a passear de mão dada. A menina, de quatro anos, encontrava-se na habitação quando a mãe morreu. Não é, para já, claro se terá assistido à agressão ou se terá percebido o que aconteceu.
A investigação terá agora de determinar a sequência exata dos acontecimentos, o contexto da discussão e o que terá acontecido entre o momento em que a mulher morreu e o alerta dado às autoridades. Também será fundamental esclarecer o que a criança de quatro anos viu ou ouviu naquela noite.
O que existe, para já, é a confissão atribuída ao adolescente, a intervenção das autoridades e um cenário familiar marcado, segundo as informações divulgadas, por conflitos anteriores.
A alegação de que o jovem agiu para proteger a irmã é uma das peças mais fortes, e também mais delicadas, deste caso. Cabe agora à investigação determinar se essa foi efetivamente a motivação do crime ou apenas a versão apresentada pelo próprio adolescente para explicar o que aconteceu.