Menino morre aos 13 anos após passar nove em coma. Foto: pexels
Menino morre aos 13 anos após passar nove em coma. Foto: pexels

Morreu o menino que passou 9 anos em estado vegetativo depois de comer queijo contaminado

IOL
4 ago., 09:15

Tinha 13 anos. O caso marcou o Mundo e terminou com condenações em tribunal

O caso chocou Itália e tornou-se um dos mais mediáticos relacionados com contaminação alimentar. Mattia Maestri morreu este domingo, aos 13 anos, depois de ter passado nove anos em estado vegetativo na sequência do consumo de queijo de leite cru contaminado com a bactéria Escherichia coli (E. coli).

A morte foi anunciada pelo pai, Giovanni Battista Maestri, através de uma mensagem divulgada pelo jornal italiano Il T. "O nosso Mattia deixou-nos e, em nome dele, agradeço a todos os que nos ajudaram a tornar este momento menos doloroso", escreveu.

A história remonta a junho de 2017. Na altura, Mattia tinha apenas quatro anos quando ingeriu queijo produzido numa queijaria da região italiana de Trentino. De acordo com o Corriere del Trentino, a contaminação terá ocorrido durante a recolha do leite, depois de um equipamento agrícola ter sido contaminado com estrume antes de ser utilizado no processo de produção.

Pouco tempo depois, a criança desenvolveu Síndrome Hemolítico-Urémica (SHU), uma doença grave frequentemente associada a determinadas estirpes da bactéria E. coli. A patologia pode provocar insuficiência renal e comprometer o fornecimento de sangue a órgãos vitais, incluindo o cérebro.

O estado de saúde deteriorou-se rapidamente. Mattia entrou em coma, esteve internado durante um mês nos cuidados intensivos do Hospital de Pádua e passou cerca de um ano numa unidade de reabilitação. Apesar dos tratamentos, nunca recuperou, permanecendo em estado vegetativo irreversível durante os nove anos seguintes.

Segundo o pai, o menino necessitava diariamente de dezenas de medicamentos, sofria crises epilépticas frequentes e acabou por perder a visão.

O caso chegou aos tribunais italianos e terminou com a condenação do antigo presidente da queijaria e do mestre queijeiro, considerados responsáveis pelas lesões sofridas pela criança. No mesmo processo, uma pediatra respondeu também em tribunal, acusada de recusa de assistência e de ofensas à integridade física, depois de a família defender que uma intervenção mais rápida poderia ter reduzido a gravidade das sequelas.

Nos últimos anos, Giovanni Battista Maestri dedicou-se à sensibilização para os riscos associados ao consumo de alimentos não pasteurizados. Publicou o livro A verdade sobre os perigos dos queijos de leite não pasteurizado e criou uma associação de consumidores que defende a obrigatoriedade de avisos de saúde em produtos considerados de maior risco para crianças, grávidas, idosos e pessoas com o sistema imunitário fragilizado.

"Não consegui salvar o meu filho, mas espero que a história dele possa salvar outras crianças", afirmou durante a apresentação da obra no Parlamento italiano, citado pelo Corriere del Trentino. O funeral realizou-se na segunda-feira, 3 de agosto, em Coredo, no norte de Itália, onde familiares, amigos e habitantes da região prestaram a última homenagem ao jovem.

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