Uma empregada doméstica foi mortalmente atingida por um tiro quando chegou a uma casa para trabalhar. O proprietário terá confundido a mulher com um assaltante e disparou através da porta fechada, sem confirmar quem se encontrava no lado de fora. O caso, que ocorreu nos Estados Unidos e foi noticiado pelo Washignton Post, reacendeu o debate sobre as polémicas leis de autodefesa no país.
Nessa tarde, o casal de imigrantes circulou várias vezes pelo quarteirão. O GPS insistia na mesma morada, levando-os a presumir que aquela era a residência que deviam limpar. Ao começarem a testar as chaves na porta da frente, não sabiam que, no interior, Curt Andersen, de 62 anos, interpretava os ruídos como uma invasão.
Segundo documentos judiciais, Andersen não acendeu luzes, não chamou por ninguém e não tentou confirmar o que se passava. Em vez disso, dirigiu-se a uma divisão preparada como refúgio, abriu um estojo de armas e empunhou uma pistola.
A partir do topo das escadas, disparou um único tiro através da porta fechada, atingindo María na zona da têmpora e causando ferimentos fatais. Tudo aconteceu em menos de dois minutos, antes de o casal conseguir contactar o empregador para esclarecer o engano. No local, imagens mostram agentes policiais junto à entrada, onde o corpo da vítima ficou caído, delimitado por fita de isolamento.
O caso volta a colocar sob escrutínio a legislação stand your ground (“defender o seu território”), que permite o uso de força letal quando um proprietário acredita, de forma razoável, que é necessário impedir uma entrada ilegal. É também comum a existência de “salas seguras” — divisões reforçadas ou ocultas, frequentemente equipadas com armas, destinadas a situações de intrusão.
A defesa de Andersen argumenta que o homem atuou “em conformidade com a lei estadual de autodefesa”. Já o procurador do condado de Boone, Kent Eastwood, apresentou acusação de homicídio involuntário.
María deixa quatro filhos, o mais novo com apenas um ano, ficando o marido, Mauricio, como único sustento da família. O casal tinha emigrado da Guatemala há cerca de três anos, em busca de melhores oportunidades em Indianápolis, onde María tinha familiares.